Irã começa a implementar sua própria Internet

Por Redação | 29 de Agosto de 2016 às 17h45
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O governo do Irã vai lançar a sua rede de interconexão entre computadores, uma espécie de internet própria que servirá de alternativa à internet tradicional. Segundo informações da agência de notícias estatal IRNA, a chamada Rede Nacional de Dados oferece alta qualidade e velocidade para os seus usuários a um preço inferior aos de conexões convencionais.

Apesar da óbvia propaganda oficial positiva, os opositores do governo denunciam a iniciativa como uma forma de fortalecer o controle dos cidadãos iranianos. A intenção, apontam os detratores da administração de Hassan Rouhani, seria dificultar ainda mais o acesso a informações veiculadas em páginas internacionais — vale lembrar que serviços como Twitter e Facebook já são bloqueados no país, mas é possível acessá-los de lá com o auxílio de redes virtuais privadas (VPNs).

O discurso oficial do governo é usar a Rede Nacional de Dados como uma intranet dedicada a promover conteúdo islâmico e também fomentar “consciência digital” na população do país. A iniciativa foi planejada em 2010 para entrar em completo funcionamento até o final de 2015, mas alguns adiamentos atrasaram o projeto. A ideia é que a internet nacional do Irã substitua o sistema atuai de filtros para controlar o acesso à internet no país, descrito como ineficiente pelo ministro da comunicação, tecnologia e informação do país Mahmoud Vaezi.

Segundo o ministro, “todos os vários tipos de conteúdo, aplicações, serviços e atividades domésticas estão incluídos na internet nacional”, o que supostamente eliminaria a necessidade de usar a internet tradicional. Além de garantir que ninguém sentirá falta da internet, Vaezi diz ainda que a rede nacional do Irã vai facilitar no combate de ameaças digitais.

Segundo a agência de notícias Mehr, a recém-concluída primeira fase de implementação da internet nacional do Irã incluiu o lançamento de provedores que permitem acesso a serviços do governo e a páginas nacionais. A segunda fase, que será concluída em fevereiro de 2017, deve introduzir suporte para serviços domésticos de vídeos. Por fim, a última fase será concluída até março de 2017 e vai adicionar recursos para companhias iranianas e multinacionais que atuam no mercado internacional a partir do país.

Preocupação com direitos humanos

Apesar de o governo iraniano alardear que a privacidade dos usuários será respeitada, o grupo britânico de direitos humanos Article 19 está preocupado com o caso. “Dado o histórico do Irã na violação de direitos humanos nos âmbitos civil e político (incluindo também étnico e religioso), o desenvolvimento de projetos como o da internet nacional é especialmente preocupante”, informou o grupo em relatório. “O Projeto de Internet Nacional poderia pavimentar o caminho de isolamento mais intenso, vigilância e retenção de informação.”

Fontes: IRNA, Article 19 via BBC

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