Internet móvel começa a ser liberada em Cuba

Por Carlos Dias Ferreira | 17 de Julho de 2018 às 16h54

O governo cubano começou recentemente a disponibilizar internet móvel dentro do seu território, ainda que de maneira restrita. O projeto aprovado pelo presidente Miguel Diaz-Canel prevê que a conexão seja liberada inicialmente apenas a alguns poucos usuários selecionados, exclusivamente por meio da empresa de telefonia estatal ETECSA (Empresa de Telecomunicaciones de Cuba S.A.). Até o final do ano, a ideia é levar o serviço a toda a população.

Entre o grupo inicial favorecido pela medida se encontram jornalistas que atuam em agências de notícia estatais, o que endossa o posicionamento oficial. Em discurso ao parlamento cubano, Diaz-Canel defendeu a implantação da internet móvel como uma forma de proteção para as lideranças políticas.

“Nós precisamos ser capazes de colocar o conteúdo revolucionário online”, disse o líder de estado, conforme reportou a agência Reuters, reforçando que os cubanos precisam “contra-atacar a avalanche de pseudo-cultura, banalidade e conteúdo vulgar” disponível na internet. Diaz-Canel também apontou que a disponibilização de conexões móveis é essencial para alavancar a economia e ajudar os cubanos a “defender a sua revolução”.

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Embora nenhum anúncio amplo tenha sido emitido, é fato que diversas entidades atuantes no país passaram a adquirir pacotes de internet móvel da ETECSA desde dezembro do ano passado. Entre os privilegiados, há várias companhias e embaixadas. Até 2013, as conexões com a internet se resumiam a apenas hotéis para turistas – com inclusão recente de cybercafés e hotspots Wi-Fi.

Conteúdos antirrevolucionários

Embora analistas apontados pela Reuters apontem que a medida pode, em última análise, enfraquecer o establishment de Cuba, fato é que o conteúdo a ser liberado para consulta deve ser bastante restrito. Basicamente, devem ser sumariamente bloqueados quaisquer conteúdos que possam advogar dissidências políticas.

Disponível a apenas alguns usuários, a rede cubana veta o acesso a qualquer site que veicule conteúdos "dissidentes".

Já o conteúdo aprovado pelo governo deve ganhar ainda subsídios, a fim de encorajar a adoção. O aplicativo de mensagem Todus, por exemplo, possibilita o acesso a uma porção de sites pré-aprovados e a um serviço de email – por meio de uma intranet - a preços muito mais baixos do que os de uma conexão padrão com a internet.

Inacessível à maioria

No caso da internet móvel, entretanto, o preço ainda deve ser impeditivo para boa parte da população cubana. Ainda que US$ 1 seja suficiente para garantir uma hora de acesso em um hotspot atualmente, o valor se torna significativo diante de um salário médio estatal de apenas US$ 30 mensais.

Embora não se saiba ainda quanto os cubanos vão pagar pela internet da ETECSA, vale notar que a companhia cobra atualmente US$ 45 de empresas e embaixadas por um plano mensal de 4 GB.

“Metade dos lares cubanos até 2020”

A liberação de novos planos móveis parece ser o primeiro passo de uma estratégia para levar internet à maioria dos cubanos dentro dos próximos anos. Conforme apontou a Reuters, um documento oficial vazado em 2015 previa que “pelo menos metade dos lares cubanos” e “60% dos telefones móveis” deveriam ganhar conexões com a internet até 2020.

“Essa expansão deve ocorrer de forma lenta no início, tornando-se então mais rápida assim que o governo ganhar confiança na sua capacidade de controlar crises políticas”, escreveu um analista à Reuters.

Até o momento, entretanto, apenas 11 mil casas foram contempladas. Cuba concentra atualmente uma população de aproximadamente 11,5 milhões de habitantes, e ainda trabalha para implementar redes 3G.

Fonte: Reuters

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