Grife desativa website e redes sociais após denúncia de trabalho escravo

Por Redação | 22 de Junho de 2016 às 08h53

Quem acompanha as redes sociais da grife Brooksfield Donna pode ter sido surpreendido nesta terça-feira (21) ao tentar acessar as páginas, ou ainda o website da marca, e se deparar com um aviso de conta desativada. O motivo pelo “sumiço”, mesmo que temporário, foi bastante grave: a grife do grupo Via Veneto foi acusada pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social de produzir peças com mão de obra análoga à escrava.

Uma auditoria do Ministério realizada no dia 06 de maio concluiu que os bolivianos da fábrica têxtil trabalhavam por mais de 12 horas diárias e viviam em condições degradantes em uma oficina quarterizada na Zona Leste de São Paulo. Na segunda-feira (20), a ONG Repórter Brasil, junto à BBC, divulgou os dados dessa auditoria, revelando ainda que os fiscais encontraram no local três menores de idade trabalhando em máquinas de costura (equipamento cujo uso é proibido para menores de 18 anos no Brasil).

trabalho escravo Brooksfield Donna

A imagem mostra a estampa de um dos vestidos da grife na oficina onde os bolivianos trabalhavam em condições inadequadas (Reprodução: Piero Locatelli e MTPS)

Assim que a notícia se espalhou pela internet, a grife desativou imediatamente suas redes sociais, bem como as da versão masculina da marca, a Brooksfield. Quando os sites voltaram ao ar na noite desta terça (21), exibiram uma nota de esclarecimento, dizendo que todos os pedidos feitos ao fornecedor responsável pela contratação da tal oficina foram cancelados desde que a empresa foi notificada sobre o caso.

Em nota enviada à ONG, o grupo Via Veneto afirmou que não terceiriza a prestação de serviços e que seus fornecedores são “empresas certificadas”, dizendo ainda que não “mantém relações com trabalhadores eventualmente enquadrados em situação análoga a de escravos pela fiscalização do trabalho e que sempre esteve à disposição dos órgãos públicos para prestar todos os esclarecimentos necessários à correta apuração dos fatos.”

Fontes: Exame, Repórter Brasil

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