Governos bloquearam acesso à internet mais de 50 vezes em 2016

Por Redação | 03 de Janeiro de 2017 às 14h28

Apenas em 2016, a organização de direitos digitais Access Now documentou mais de 50 bloqueios de internet por parte de governos ao redor do mundo. Os desligamentos, segundo a organização, têm sido associados a violações dos direitos humanos por suprimirem as eleições, retardando as economias e limitando a liberdade de expressão.

"O que descobrimos é que os desligamentos na internet andam de mãos dadas com atrocidades", disse Deji Olukotun, Gerente Global de Advocacia da Access Now à agência de notícias IPS.

Segundo ele, na Etiópia, por exemplo, houve um bloqueio consistente de mídia social e internet neste ano. Vários líderes usaram desligamentos na internet para afetar processos democráticos, incluindo eleições. "Em Uganda, em fevereiro de 2016, mídias sociais foram bloqueadas pelo presidente Museveni e que novamente aconteceu na Gâmbia (em dezembro) em torno da eleição", acrescentou.

Ainda de acordo com Olukotun, os governos estão empregando métodos mais sofisticados para garantir que os internautas não possam contornar as paralisações. E, quando se trata de desligamentos, Olukotun afirma que os provedores de internet devem resistir às demandas do governo.

"As empresas de telecomunicações podem repelir as ordens do governo, ou pelo menos documentá-las para mostrar o que está acontecendo, pelo menos ter uma prova no papel", disse ele.

Ele também observou que organizações internacionais, como a União Internacional de Telecomunicações - a agência das Nações Unidas para as tecnologias de informação e comunicação - também poderiam fazer mais por meio da emissão de declarações em resposta a incidentes específicos.

Prejuízo

No entanto, os governos não parecem ter levado em conta as repercussões que o bloqueio da internet implicaria, para além dos limites da liberdade de expressão. De acordo com um recente relatório do Brookings Institute, desligamentos de internet custaram aos países US$ 2,4 bilhões de dólares em 2015.

As maiores perdas foram na Índia (US$ 968 milhões), Arábia Saudita (US$ 465 milhões) e Marrocos, que perdeu US$ 320 milhões. Ainda segundo o Brookings, estas são estimativas conservadoras que apenas levam em conta reduções na atividade econômica e não perdas fiscais ou quedas na confiança dos investidores.

Fonte: IPS

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