Governo dos EUA inicia ataques cibernéticos contra o Estado Islâmico

Por Redação | 25 de Abril de 2016 às 17h14
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Em março, o exército dos Estados Unidos lançou diversos ciberataques contra as redes do grupo terrorista Estado Islâmico, num esforço para dificultar a capacidade dos criminosos em operar e se comunicar. Agora, o país anunciou ter feito uma série de novos ataques virtuais contra o EI, segundo informações do jornal The New York Times.

A ação é liderada pela Cyber Command, divisão de guerra eletrônica das Forças Armadas americanas criada há seis anos e que faz parte da Agência de Segurança Nacional (NSA), amplamente conhecida após o caso Edward Snowden. Essa divisão já havia atuado em outras operações de prevenção e ataque contra Rússia, China, Coreia do Norte e Irã, locais de onde partem a maioria dos ciberataques direcionados aos EUA.

A partir de agora, os especialistas desse setor estão concentrados na luta contra o Estado Islâmico. O objetivo é enfraquecer qualquer tipo de operação online dos terroristas, como interromper a capacidade do grupo em espalhar sua mensagem pelo mundo no ambiente digital, evitando que os terroristas atraiam novos adpetos. O governo americano também quer impedir que ordens dos comandantes sejam enviadas aos demais recrutas e até bloquear pagamentos aos seus combatentes.

"Estamos lançando 'ciberbombas'. Nós nunca fizemos isso antes", destacou Robert Work, secretário de defesa do governo americano. Ele disse que a estratégia inicial é estudar o comportamento online dos terroristas para depois criar armadilhas que, de alguma forma, sabotem suas redes através da introdução de dados falsos.

Esta é a primeira vez que os Estados Unidos falam abertamente sobre o uso de armas digitais contra o Estado Islâmico. Além disso, levanta o debate sobre o uso dessas ferramentas fora do âmbito terrorista: quem garante que esses poderosos programas de ciberataque e espionagem não possam ser usados no futuro para outros fins?

Para oficiais da NSA e do governo americano há um consenso: a revelação pública do Cyber Command pode ser um tanto perigosa, porque pode alertar membros do EI de que suas defesas estão comprometidas e, consequentemente, fazer com que eles desenvolvam maneiras mais seguras de comunicação.

"Temos tentado isolar o Estado Islâmico tanto física quanto virtualmente, limitando sua capacidade de conduzir operações localmente e taticamente, e de comandar e se comunicar uns com os outros. Mas serei um dos primeiros a argumentar de que isso é tudo o que podemos falar", destacou o general Joseph Dunford.

Vale lembrar que um integrante do Estado Islâmico disse no final do ano passado que o Brasil é um dos próximos alvos do grupo terrorista. A veracidade da mensagem, publicada originalmente no Twitter, foi confirmada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Para evitar que tragédias como a que aconteceu na França ocorram por aqui, o órgão, por sua vez, afirmou que está realizando trabalhos em conjunto das agências de países que já sofreram ou temem sofrer ataques.

Fonte: The New York Times