Governo britânico nega passagem segura de Julian Assange ao hospital

Por Redação | 16.10.2015 às 09:11

O governo britânico pode até ter encerrado o plantão policial na porta da embaixada do Equador em Londres, onde mora Julian Assange, mas isso não significa que ele pode sair de lá quando quiser. Nesta quinta-feira (15), as autoridades do Reino Unido negaram um pedido de passagem segura para que o fundador do WikiLeaks pudesse ir até o hospital verificar dores nos ombros que tem sentido há algum tempo.

A decisão foi emitida em segredo, mas acabou revelada pelo serviço de notícias do Equador. De acordo com a nota divulgada pela embaixada, as autoridades do Reino Unido disseram que ele está livre para sair do local, como sempre esteve, mas que não pode garantir que ele não será preso ao fazer isso.

O Ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, criticou abertamente o governo da Inglaterra, afirmando que a falta de cooperação é um flagrante desrespeito às leis internacionais e acordos entre os dois países. O país da América do Sul concedeu asilo político a Julian Assange e, sendo assim, as regras sobre isso deveriam se aplicar também a casos como estes.

De acordo com o embaixador, Assange se queixa de dores no ombro direito há cerca de três meses e em alguns momentos chega a ter seus movimentos debilitados por conta disso. A recomendação do médico pessoal do delator é para a realização de uma ressonância magnética, algo que só pode ser feito em um hospital. O pedido de passagem segura teria sido feito em 30 de setembro e negado uma semana depois.

O temor do criador do WikiLeaks, porém, é que ao sair da embaixada ele seja preso e levado aos Estados Unidos sob supostas acusações de espionagem e terrorismo. Além disso, Assange é procurado para interrogatório sob suspeitas de assédio sexual e estupro, crimes que teriam sido cometidos durante uma visita a Estocolmo e que, para muitos apoiadores, seria uma manobra dos governos americano e sueco para retirá-lo do asilo.

Assange reside na embaixada do Equador em Londres desde 2012, quando recebeu asilo político. Como não pode deixar o local, ele também não pôde viajar para o país e estabelecer residência permanente. Recentemente, o criador do WikiLeaks teria solicitado permissão para abrigo na França, um pedido que foi negado pelo governo e, na sequência, negado até mesmo por representantes do próprio delator.

Após três anos de vigília, o governo britânico anunciou nesta semana que dispensaria os policiais fardados que mantinham plantão constante em frente à embaixada, com ordens de prender Assange caso ele saísse. A operação já teria custado mais de US$ 20 milhões para os cofres ingleses, mas, segundo as autoridades do país, continua ativa. Não se sabe, por exemplo, se oficiais à paisana continuam nos arredores e a ordem se mantém: o delator deve ser detido assim que pisar fora do local.

Fonte: Ars Technica