Google estaria trabalhando em app de busca de acordo com censura chinesa

Por Felipe Demartini | 01 de Agosto de 2018 às 12h40
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A Google estaria prestes a lançar uma nova versão de seu motor de busca, exclusiva para a China, que respeitaria a censura imposta pelo governo do país asiático. Com isso, pesquisas relacionada a temas como democracia, religião, protestos e direitos humanos não mais exibiram resultados para os usuários.

O projeto Dragonfly, como seria chamado internamente, estaria sendo desenvolvido desde 2007 em uma parceria da Google com o governo da China. A ideia é liberar um aplicativo para o sistema operacional Android que fornecesse todas as ferramentas de pesquisa disponíveis internacionalmente, como imagens, notícias e ferramentas de filtragem, mas sem que os resultados indesejáveis para as autoridades do país fossem mostrados.

A informação foi publicada pelo noticiário online The Intercept, que teve acesso a documentos relacionados à iniciativa. Eles chegam a citar nominalmente alguns eventos, datas comemorativas e até obras que precisam ser deixadas de fora do mecanismo de busca chinês, em respeito às regras do Grande Firewall. O livro 1984, de George Orwell, bem como suas adaptações cinematográficas, estão banidos, assim como artigos sobre o protesto de 1989 na Praça da Paz Celestial.

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Opositores políticos e informações sobre dissidentes ou exilados também devem ficar de fora do motor de busca, que exibirá uma página sem resultado algum no caso de pesquisas sobre termos proibidos. Restam dúvidas, ainda, sobre o anonimato das conexões e a segurança de seus usuários, principalmente na procura por termos considerados negativos pelo governo chinês.

O trabalho de reaproximação com a China teria se intensificado no final de 2015, quando Sundar Pichai, atual CEO da Google, assumiu o controle. Em entrevistas, ele não hesitou em falar que deseja ver os serviços da companhia disponíveis para todo o mundo, o que inclui também os chineses. O executivo seria um dos principais incentivadores do projeto Dragonfly e estaria em contato direto com o governo asiático, que ainda precisa aprovar o aplicativo de buscas.

Esta não é a primeira vez que a Google tenta dançar conforme a música das autoridades da China. Entre 2006 e 2010, a empresa operou no país, também, com uma versão restrita de seu motor de busca para computadores, que teve de ser retirada do ar depois de a própria companhia sofrer ataques hackers, supostamente, em busca de acesso a contas de e-mail de ativistas políticos. Na ocasião, a companhia afirmou que iria rever sua atuação no país, trabalhando em alternativas com a administração local.

O projeto Dragonfly, sendo assim, pode ser a possibilidade desse retorno, mas, pelo jeito, a Google parece disposta a atender ainda mais os anseios do governo autoritário. Na iniciativa passada, a companhia chegou a ser investigada pelo Senado dos Estados Unidos devido à sua relação com a China, com os representantes afirmando que a empresa estaria se afastando de seu antigo lema, “Não seja mau”, para se tornar aliado da maldade.

Soa improvável que a nova iniciativa, se real, não vá receber o mesmo tipo de atenção negativa. Por outro lado, há de se levar em conta o interesse da empresa no mercado chinês, com 750 milhões de usuários de internet e maioria dos acessos realizados em smartphones e tablets com Android. É um grande mercado para ser explorado, resta apenas saber se será possível fazer isso de maneira ética.

Fonte: The Intercept

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