Garoto preso nos EUA por relógio caseiro quer indenização de US$ 15 milhões

Por Redação | 24 de Novembro de 2015 às 11h22

Para a família de Ahmed Mohamed, a poeira já baixou e é hora de responder aos abusos realizados contra eles. O jovem de 14 anos que foi preso em setembro após ter um relógio, construído por ele mesmo em casa, confundido com uma bomba em uma escola da cidade americana de Irving está pedindo US$ 15 milhões em indenizações pelo caso, além de um pedido de desculpas formal do prefeito e também do chefe de polícia.

A ação foi iniciada depois que o processo contra Mohamed chegou ao fim, sem que ele tenha sido acusado de crime algum. Ainda fora das esferas judiciais, a família do jovem afirma, em carta, que ele foi discriminado publicamente por sua raça e cor, em um ato que causou traumas psicológicos severos e o obrigou a deixar sua comunidade para proteger sua integridade física após receber e-mails ameaçadores. Hoje, ele vive no Qatar, onde recebeu uma bolsa de estudos, mas diz que quer voltar ao Texas, sua terra natal.

Na notificação que foi enviada tanto à prefeitura de Irving quanto ao departamento de polícia local, os advogados afirmam que Mohamed foi vítima de práticas irregulares por parte das autoridades. Os oficiais chamados ao colégio, por exemplo, teriam verificado que o aparelho levado por ele era um relógio e não uma bomba, mas, ainda assim, professores e inspetores da instituição teriam insistido que se tratava de um objeto perigoso “apenas por causa de sua raça, religião e origens”. A família também afirma que teve seu acesso ao garoto negado durante parte do interrogatório, uma atitude ilegal no caso de menores de idade.

A notificação dá um prazo de 60 dias para que os pedidos sejam atendidos antes que uma ação legal seja iniciada contra a cidade de Irving e as autoridades envolvidas no caso. A prefeitura não se pronunciou sobre o assunto, assim como o departamento de polícia também permanece em silêncio sobre o caso.

Dias após o caso, Ahmed Mohamed se tornou um símbolo para jovens muçulmanos e de outras etnias que sofrem preconceito nos Estados Unidos. Ele foi convidado a visitar o Google e o Facebook, recebeu um pacote de presentes tecnológicos da Microsoft, chegou a conhecer Sergey Brin e ainda recebeu uma ligação do presidente Barack Obama, que o chamou de inspiração para jovens que querem trabalhar com ciência. Ele também fez parte da lista dos 30 adolescentes mais influentes de 2015 pela revista Time.

Fonte: CNET

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