Fundador do Silk Road pede clemência contra prisão perpétua

Por Redação | 27 de Maio de 2015 às 18h18

Após se recusar a testemunhar diante do júri e participar de boa parte do processo que o levou à prisão calado, o fundador do Silk Road finalmente se pronunciou em uma carta emocionada, na qual pede que a juíza Katherine Forrest “poupe seus anos de velhice” e dê a ele a pena mínima para os crimes que cometeu. Nesta sexta-feira (29), ela vai decidir se Ross Ulbricht, acusado de tráfico de drogas e diversos outros crimes, irá ser condenado à prisão perpétua ou por alguns anos na cadeia.

Para quem não se lembra, ele era conhecido como Dread Pirate Roberts e operava o Silk Road, um dos maiores mercados online de drogas. Funcionando na Deep Web, a plataforma permitia que qualquer pessoa adquirisse substância ilícitas e as tivesse entregues em sua casa. Ulbricht não lidava diretamente com os produtos vendidos, mas recebia comissão a cada transação realizada no site, o que, sozinho, já seria suficiente para lhe garantir uma condenação.

Na carta, de cerca de uma página e assinada também por 97 de seus amigos e familiares – incluindo companheiros de cela e outros presos que compartilham tempo com ele na prisão –, o acusado disse nunca ter buscado ganho financeiro com o Silk Road. Sua ideia era permitir que as pessoas tivessem um lugar para vender e comprar o que quisessem, sem machucar ninguém. “[Eu queria] dar liberdade às pessoas para que fizessem suas próprias escolhas e buscassem felicidade. Nunca pensei em criar um site que permitisse a elas outro caminho para alimentar seus vícios”, escreveu.

Essa, inclusive, foi uma das apostas da promotoria durante sua condenação. Para o estado, Ulbricht gerenciava um mercado de drogas com acesso extremamente facilitado, e qualquer pesquisa rasa seria capaz de notar um rastro de novos viciados e mortos que surgiram por meio de sua atuação. Apenas a conveniência de receber drogas em casa, em vez de lidar diretamente com traficantes, para muitos viciados (ou não), já era suficiente para experimentar o serviço.

Continuando, ele afirma ter entendido o grave erro que cometeu e, acima de tudo, a mácula que causou à educação que sua família lhe deu e à reputação de seu sobrenome. Justamente por isso, ele pede à justiça que permita que ele curta sua velhice em liberdade, caso ele sobreviva às décadas que, com certeza, passará preso.

“Tive minha juventude, e sei que vocês precisam tomar minha meia-idade, mas, por favor, poupem minha velhice. Deixem uma pequena luz no fim do túnel, uma desculpa para que eu me mantenha sadio, sonhe com dias melhores e uma chance para que eu me redima no mundo livre antes de morrer”, conclui Ulbricht na carta.

Em uma decisão judicial de fevereiro, ele foi condenado por todos os sete crimes dos quais estava sendo acusado. Além de tráfico de drogas, ele era acusado de comandar uma operação criminosa, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas privados. O Silk Road foi fechado após uma operação policial, que também teve como objetivo capturar alguns dos principais traficantes que operavam pelo serviço.

A carta de Ulbricht foi liberada pelo próprio sistema judiciário dos Estados Unidos, mas não se sabe ao certo de que forma ela pode interferir na decisão da juíza Forrest. A pena mínima para os crimes cometidos por ele é de 20 anos de prisão, justamente o total que o acusado, sua família e defesa buscam conseguir com o apelo.

Fontes: Departamento de Justiça dos EUA, Business Insider

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