Fundador da Lemon desmente papel de Bel Pesce na empresa, mas volta atrás

Por Redação | 05 de Setembro de 2016 às 14h43
photo_camera Divulgação

Há cerca de duas semanas, o empreendedorismo e a formação acadêmica de Bel Pesce têm sido questionados por dezenas de usuários nas redes sociais que, após uma campanha de crowdfunding mal sucedida, têm dúvidas quanto ao currículo da empresária. Uma das startups que a jovem afirma ser criadora é o aplicativo de finanças pessoais Lemon, que também gerou questionamentos na internet.

Em entrevista recente ao UOL, Wences Casares confirmou que Bel Pesce trabalhou em sua companhia, mas não a criou. De acordo com o empresário, o app foi desenvolvido em 2011, e Bel trabalhou nele entre março e fevereiro de 2013 – alguns posts no Twitter e Facebook mostram que, de fato, a brasileira trabalhou na corporação, mas não a fundou. Posteriormente, a ferramenta foi vendida por US$ 42 milhões, em dezembro 2013.

Bel foi procurada pela reportagem desde a última quarta-feira (31), mas sua assessoria se limitou a responder que "ela foi para a empresa [Lemon] como cofundadora em 2011". Acontece que, embora não tenha estado entre o time inicial de criadores, Bel, que ingressou na empresa em agosto de 2011, entrou com um pedido para se tornar uma cofundadora da Lemon. De acordo com Casares, ele e o resto da equipe concordaram que ela e outras pessoas que fizeram a mesma solicitação entrassem como "membros do time de fundadores da Lemon".

Casares ainda disse que recebeu inúmeras mensagens em suas redes perguntando sobre a função de Bel Pesce em sua antiga empresa. Ele também afirma que apagou essas postagens para não criar mais confusão sobre o papel de Bel na companhia.

"Nas últimas semanas, tenho sido perguntado repetidamente no Twitter, Facebook, WhatsApp e por e-mail sobre a função de Bel Pesce na Lemon. Primeiro, eu apenas tuitei algumas datas importantes que me vieram à mente e que são aproximadas, não exatas. (...) A Lemon foi criada durante um encontro, em maio de 2011. (...) Em agosto de 2011, Bel Pesce se juntou a nós para trabalhar na área de desenvolvimento de negócios. Ela perguntou se poderia ser uma cofundadora da Lemon, então concordei que todos os funcionários, incluindo Bel, seriam chamadas de 'membros do time de fundadores da Lemon'", escreveu.

Diplomas

Em matérias publicadas na imprensa brasileira nos últimos anos, foi divulgado que Bel ajudou a fundar diversas startups – entre elas a Lemon – e que tinha cinco graduações no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos: engenharia elétrica, ciências da computação, administração, economia e matemática. Segundo a instituição, a brasileira tem dois diplomas, e não cinco.

Em um texto postado no site Medium, na sexta-feira (2), Bel disse que fez parte sim do time fundador da Lemon, e confirmou que possui dois diplomas do MIT. A confusão sobre os cinco diplomas teria acontecido porque ela não teria explicado as diferenças entre os sistemas americano e brasileiro de educação: dois diplomas são de nível "major" nos EUA, sendo "administração" e "engenharia elétrica e ciências da computação" (este último é apenas um curso, e não dois), e mais dois outros cursos compactos de "economia" e "matemática". Estes dois últimos não são graduações de universidades.

O MIT também confirmou essa informação, de que, durante o período em que esteve na universidade, entre 2006 e 2010, Bel fez matemática e economia, mas em cursos de nível "minor", nos EUA. Ou seja, não são graduações.

Currículo questionado

A contestação do currículo de Bel Pesce começou depois que o blogueiro Izzy Nobre divulgou um texto na internet questionando as graduações e eventos de empreendedorismo encabeçados pela brasileira. Segundo Nobre, ele decidiu investigar a história após a polêmica campanha de arrecadamento coletivo para criar a hamburgueria Zebeléo, um projeto de Bel junto com o youtuber Zé Soares, do canal Do Pavão ao Caviar, e do vencedor da terceira edição do MasterChef Brasil, Leonardo Young.

Dias depois, Bel se defendeu das acusações e divulgou alguns documentos defendendo sua carreira profissional e que comprovam sua formação no MIT. "Alguns dias se passaram desde que os primeiros questionamentos foram levantados, e a magnitude que isso tomou foi assustadora. Esses dias me trouxeram muitos sentimentos, que também compartilharei em uma outra oportunidade", comentou.

Em nota, a assessoria de imprensa de Bel Pesce esclareceu ao Canaltech que a empresária é cofundadora da Lemon. A notícia foi atualizada para incluir essa informação.

Fonte: UOL

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