Funcionários do Google pedem fim das vendas de produtos para a polícia

Por Felipe Demartini | 23 de Junho de 2020 às 23h20
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Funcionários do Google divulgaram nesta terça-feira (23) uma carta aberta pedindo que a empresa pare de vender produtos e tecnologias para forças policiais. O documento, assinado por 1.600 colaboradores da empresa e endereçado ao CEO Sundar Pichai, pede ações mais diretas da companhia no combate ao racismo e à violência das autoridades, em um reflexo direto dos protestos que vem acontecendo nos Estados Unidos desde o final de maio, quando George Floyd foi morto por oficiais da cidade de Minneapolis.

O texto critica o silêncio e a placidez da empresa diante das manifestações e afirma que isso se deve ao fato de a empresa “lucrar com sistemas racistas”. O documento cita especificamente o uso dos aplicativos da G Suite pelo departamento de polícia de Clarkstown, em Nova York, que foi acusada de monitorar ilegalmente manifestantes envolvidos com o movimento Vidas Negras Importam.

A carta aberta também cita as relações entre o Google e a política, como o trabalho ao lado de autoridades de fronteira no uso de drones para rastrear imigrantes e doações da companhia ao senador Steve King. O representante é responsável por declarações racistas e, também, por demonstrar apoio público a supremacistas brancos e grupos neonazistas por meio de discursos e postagens em redes sociais.

Os colaboradores dizem estar profundamente decepcionados com a postura da empresa nas últimas semanas, com declarações e doações a movimentos antirracistas que não conversam diretamente com os negócios da companhia. A carta aberta acusa o Google de incoerência e de agir contra os valores dos próprios funcionários.

No início de junho, o CEO Sundar Pichai divulgou uma carta aberta demonstrando o apoio do Google à comunidade negra, com momentos de silêncio nos escritórios globais da companhia e conversas diretas com funcionários e gestores negros para desenhar ações de maior inclusão. Além disso, a empresa anunciou doações de US$ 12 milhões para organizações que lutam contra o racismo e prestam assistência a vítimas de crimes raciais.

O Google ainda não se pronunciou sobre a carta enviada pelos colaboradores, cuja coleta de assinaturas continua aberta e angariando novas inscrições. Em 2019, a empresa declinou a renovação de um contrato com o departamento de defesa do governo americano depois de protestos dos funcionários, que criticavam o uso de sistemas de inteligência artificial da empresa em operações militares usando drones em zonas de conflito.

Fonte: Mashable

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