Fãs de armas de fogo estão usando Pornhub como alternativa ao YouTube

Por Felipe Demartini | 27 de Março de 2018 às 13h36
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Uma alternativa inusitada está sendo adotada pelos partidários das armas de fogo após o recente banimento de conteúdos desse tipo do YouTube: eles estão usando o Pornhub como alternativa. O mesmo também estaria valendo para teóricos da conspiração e vídeos disseminando conteúdo de ódio ou controverso, apesar de estes ainda aparecerem em menor escala na plataforma de pornografia.

A seção “SFW”, que indica vídeos não explícitos, com pouca ou nenhuma nudez, está sendo o porto seguro destes criadores. Basta um acesso para notar, entre clipes de lutas femininas da WWE ou produções com atrizes pornográficas lendo poemas ou reagindo a cenas de filmes, que as produções que mostram a utilização de armas de fogo e análises ou comparações entre itens desta categoria estão aparecendo cada vez mais – algumas, inclusive, entre os vídeos de maior destaque do dia.

Essa alternativa também estaria sendo divulgada em redes sociais para os apoiadores de criadores de conteúdo ou lojas que criam vídeos desse tipo. E os motivos vão além do fato de o Pornhub não ter restrições contra esses clipes, passando também pelo funcionamento do site em si e seus mecanismos de monetização.

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Entre os cinco vídeos de destaque na seção "segura" do Pornhub, três são sobre armas de fogo (Captura de tela: Felipe Demartini)

Apesar da óbvia diferença de temática, Pornhub e YouTube possuem um funcionamento essencialmente semelhante. Ambos incentivam criadores a publicarem suas produções e ganharem dinheiro com elas, enquanto algoritmos automatizados privilegiam não apenas os conteúdos mais visualizados, mas também canais de destaque e vídeos que estejam ganhando tração rapidamente.

Entretanto, a adoção a esse caminho ainda seria baixa, principalmente com a afiliação do Pornhub a seu principal tipo de material, a pornografia. Mesmo na seção “SFW”, anúncios com nudez e conteúdo explícito podem aparecer na página, enquanto alguns vídeos são capazes de burlar os filtros e exibirem cenas de sexo em meio a resultados “seguros”. A direção do site sabe disso e, caso perceba que esse movimento seja relevante de verdade, já estuda criar uma versão independente da plataforma.

É o que afirma a diretora de comunidades do Pornhub, que atende apenas pelo pseudônimo de “Katie”. Segundo ela, essa possibilidade já foi ventilada em entrevistas e internamente como uma piada, mas, cada vez mais, soa realista e pode se tornar uma verdadeira oportunidade de negócios. Entretanto, ela ressalta questões associadas principalmente, à publicidade, uma vez que a esmagadora maioria dos anunciantes do site querem ver suas marcas associadas, justamente, à pornografia.

Uma das maiores hesitações, então, é quanto à possibilidade real de ganho financeiro de uma empreitada desse tipo, diante dos gastos com infraestrutura e manutenção oriundos de um fluxo grande de usuários e criadores de nichos diferentes. É uma conta, entretanto, que o Pornhub parece disposto a fazer, e, até lá, não criará obstáculos para o upload de conteúdos não relacionados à pornografia em sua plataforma, desde que eles, claro, não firam regras de direitos autorais.

As mudanças no YouTube foram anunciadas na última semana como mais uma forma de tornar a plataforma “amigável”, principalmente, a anunciantes. A Google anunciou regras mais rígidas com relação a conteúdos violentos ou que exibam armas de fogo, além de proibir a associação desse tipo de material a lojas, empresas ou fabricantes de itens desse tipo. Foi uma alteração que atingiu boa parte dos criadores de vídeos dessa natureza.

A ideia, afirma a Google, é impedir a circulação desse conteúdo diante da ocorrência cada vez maior de tiroteios em escolas americanas. Os partidários das armas de fogo, por outro lado, acusam a gigante de censura, com uma aplicação do posicionamento político de seus dirigentes impedindo a liberdade de expressão na plataforma.

Enquanto criadores proeminentes da comunidade citam a perda de monetização ou até o bloqueio completo de canais, todos buscam alternativas. E o Pornhub, aparentemente, não tem problema nenhum em se posicionar como tal, não apenas pela ausência de normas com relação a isso, mas também pela possibilidade de atrair um público inteiramente novo.

Fonte: Pornhub (Reddit), Polygon

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