Famoso site de verificação de fatos é acusado de plágio e pede desculpas

Famoso site de verificação de fatos é acusado de plágio e pede desculpas

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 16 de Agosto de 2021 às 19h29
Reprodução/Snopes

Um popular site de checagem de fatos entrou em uma polêmica sem tamanho relacionado a cópia ilegal de conteúdo. Nesta segunda-feira (16), o CEO do site de checagem de fatos Snopes, David Mikkelson, reconheceu que plagiou dezenas de artigos feitos por veículos de notícias convencionais ao longo de vários anos. Executivos da empresa publicaram uma nota para pedir desculpas às pessoas pelo ocorrido.

Entre 2015 e 2019, pelo menos, o portal usou material extraído do Los Angeles Times, The Guardian e outras plataformas noticiosas para tentar atrair tráfego para sua página. A polêmica começou na última sexta-feira (15), quando o site BuzzFeed News divulgou o escândalo. O executivo alegou falta de formação em jornalismo como justificativa para o comportamento indevido, o que o levou a "cruzar a linha da violação de direitos autorais".

A agência de checagem de fatos admitiu ter copiado conteúdo de outros portais durante quatro anos (Imagem: Reprodução/freepik)

O BuzzFeed News identificou histórias copiadas também do The New York Times, CNN, NBC News e BBC. Seis foram publicados originalmente sob o pseudônimo de Jeff Zarronandia, três sob o nome de Mikkelson e o restante como "equipe Snopes". O site admitiu 140 textos com possíveis problemas, incluindo 54 que incluíam material apropriado indevidamente — esses conteúdos serão removidos e uma nota do editor trará esclarecimentos sobre o problema.

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Mikkelson admitiu ter usado um pseudônimo para extrair os materiais e produzir conteúdo 100% plagiado de outras fontes, sem qualquer pudor em copiar frases isoladas e até parágrafos inteiros de notícias sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, a morte de David Bowie e outras temáticas sem dar crédito. O escândalo revela uma prática bastante incomum, embora criminosa, de reproduzir conteúdo alheio sem autorização e sem citar a fonte.

Polêmica no mundo editorial

O executivo foi afastado da produção editorial e aguarda a resolução de uma investigação interna. Ele continuará no cargo de CEO e manterá seus 50% de participação no capital da empresa, segundo confirmou um executivo da Snopes à agência Associated Press. "Sejamos claros: o plágio mina nossa missão e valores, ponto final. Não tem lugar em nenhum contexto dentro desta organização", disse os representantes da empresa em comunicado.

Mikkelson alegou desconhecimento de regras do jornalismo para justificar a cópia de conteúdos (Imagem: @davidpmikkelson/Twitter)

Um time de oito redatores atuais do Snopes também condenou as ações de Mikkelson. Alguns ex-funcionários teriam dito ao BuzzFeed que ele encorajava essa prática de plagiar conteúdos como uma forma de fazer o portal de fast checking se destacar diante dos concorrentes.

O Snopes é uma das maiores agências de checagem de fatos do mundo: já ganhou dois prêmios Webby Awards, além de ter sido parceiro na checagem de fatos do Facebook entre dezembro de 2016 e 2019. Nos últimos anos, o site tem enfrentado polêmicas por batalhas entre o CEO e a empresa que comprou ações do grupo controlador.

Fonte: SnopesBuzzFeed News, Associated Press

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