Facebook irá aumentar em até US$ 1.120 o salário de trabalhadores terceirizados

Por Rafael Rodrigues da Silva | 13 de Maio de 2019 às 17h39
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Uma boa notícia para grande parte dos funcionários do Facebook: nesta segunda-feira (13) a companhia anunciou que irá aumentar os salários de boa parte de seus trabalhadores terceirizados. A empresa revelou ter chegado à conclusão que o valor de US$ 15 a hora exigido pelo governo dos Estados Unidos como salário mínimo para os trabalhadores do país já não era o suficiente para que moradores de regiões que se desenvolveram nos últimos anos, como a Bay Area de San Francisco, viver com dignidade, pois o custo de vida nessas regiões aumentou muito nos últimos anos.

De acordo com a empresa os empregados terceirizados nas sedes de San Francisco, New York e Washington passarão a receber US$ 20 por hora, e os que trabalham na sede de Seattle receberão US$ 18 por hora. O valor é maior caso o terceirizado trabalhe como moderador de conteúdo para a empresa, e nesses casos eles irão receber US$ 22 por hora nas regiões de San Francisco, New York e Washington, e US$ 20 por hora para os moderadores de Seattle. Na prática, isso significará um aumento de até US$800 no salário mensal bruto mensal para terceirizados em geral, e até US$ 1120 mensal bruto para os moderadores.

De acordo com Janelle Gale, vice-presidente de recursos humanos no Facebook, essas mudanças no valor base dos salários entrarão em vigor apenas em meados de julho de 2020. Isso porque a empresa deverá se reunir com as companhias responsáveis pelos contratos desses trabalhadores para definir em contrato os novos valores.

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Isso acontece porque esses trabalhadores terceirizados não são contratados diretamente para o Facebook, mas por empresas especializadas em fornecer este tipo de serviço, como a Accenture Plc e a Cognizant Technology Solutions Corp. Como o contrato do Facebook com essas empresas que define o quanto cada terceirizado será pago, será necessário refazê-los todos para proporcionar o aumento nos salários desses empregados.

A notícia foi também comemorada por Derecka Mehrens, uma das fundadoras do Sillicon Valley Rising, um grupo advocatício cujo objetivo é garantir que os trabalhadores terceirizados das empresas de tecnologia possam ter os mesmos direitos daqueles que são diretamente contratados. Mehrens elogiou a postura do Facebook em aumentar os salários desses trabalhadores, e espera que a empresa sirva de exemplo para que outras empresas do setor façam o mesmo.

O uso de trabalhadores terceirizados é um dos pontos mais criticados nas empresas de tecnologia, que utilizam esse tipo de contrato para posições importantes mas que não exigem um alto grau de especialização acadêmica, como faxineiros, atendentes de cafeteria e seguranças. O grande problema para esses trabalhadores é que, além de menores salários, eles também não compartilham dos mesmos benefícios que os funcionários contratados diretamente por essas empresas.

Esse tipo de funcionário também é usado para a moderação de conteúdo em empresas de internet, o que é facilmente uma das profissões mais ingratas do mundo — e o Facebook possui um longo histórico de moderadores que desenvolvem traumas mentais intensos no exercício da profissão.

Além de melhorar o salário de seus funcionários terceirizados, o Facebook também está introduzindo algumas mudanças para seu programa de moderadores na tentativa de reduzir o stress mental da função, como permitir que eles possam revisar vídeos com o som desligado, desabilitar a reprodução automática de mídia e permitir visualizar imagens em preto e branco ou com algumas partes borradas. A companhia também irá garantir que existam psicólogos prontos para atender seus funcionários durante todo o período de atividades, e não apenas no turno do dia como acontece hoje.

Gale afirma que as recentes manchetes negativas sobre as doenças que seus moderadores desenvolvem não influenciaram na decisão de aumentar os salários e implantar algumas mudanças nos locais de trabalho desses profissionais, revelando que isso é algo no qual a empresa já vem discutindo desde o meio do ano passado. Ela ainda afirmou que o próximo passo será revisar os bases de moderação de todos os outros países onde o Facebook opera, e garantir que seus trabalhadores estejam recebendo salários dignos para exercer suas funções.

Fonte: Bloomberg

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