Ex-funcionária abre processo contra Google por assédio

Por Felipe Demartini | 01 de Março de 2018 às 10h05
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A engenheira de software Loretta Lee abriu um processo contra a Google, com acusações de assédio. De acordo com ela, durante os oito anos que passou na empresa, ela teve de lidar com discriminação de gênero, situações constrangedoras e o comportamento nada apropriado de seus colegas de trabalho, o que inclui até mesmo situações de violência.

São diversas as situações bizarras citadas por Lee na ação. Ela se uniu à Google aos 26 anos e trabalhou na empresa até 2016, quando foi demitida. Durante esse tempo, percebeu a cultura existente na empresa, que, segundo ela, discrimina mulheres e as vê como nada mais do que um objeto sexual inferior.

Esse aspecto se refletiu em diferentes acontecimentos. A engenheira de software afirma que, às vezes, seu café e outras bebidas eram batizados com uísque. Em outro momento, se viu questionada por um colega de trabalho se ela estava a fim de um “abraço horizontal”, além de ser alvo constante de disparos de uma arma de projéteis de espuma por parte de outro funcionário.

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Fora do ambiente de trabalho, os problemas continuavam. A engenheira relatou o dia em que foi estapeada por um colega de trabalho, durante uma festa, “só de brincadeira”; e outro momento em que um conhecido apareceu em seu apartamento, sem avisar e com uma garrafa de bebida. A desculpa era “ajudá-la a configurar um dispositivo”.

Na situação mais bizarra de todas, Lee relata ter retornado à sua mesa após um intervalo para encontrar um homem escondido embaixo dela. Ao ser confrontado, ele teria dito apenas que ela “não acreditaria” no que ele estava fazendo. O empregado da Google era um semidesconhecido, de outro departamento, o que não impediu que, no dia seguinte, ele tentasse se aproximar, com direito até a uma tentativa de encostar nos seios da engenheira.

O incidente foi reportado ao departamento de recursos humanos da empresa, o que a levou a ser deixada de lado por seus superiores. Ela ainda diz não saber exatamente quem estava sob sua mesa, mas a partir do momento em que acusou o homem diretamente, viu seu trabalho ser roubado e criticado. Eventualmente, sob pedido do próprio RH, ela tirou uma licença e, ao retornar, acabou demitida.

Lee temia que o homem tivesse instalado uma câmera sob sua mesa e acredita que sua dispensa tem relação direta com a denúncia. Segundo ela, a Google citou sua performance como baixa para justificar a demissão, mas a engenheira afirma realizar um bom trabalho, com recomendações de seus superiores e até algumas vitórias em competições internas de programação, antes de a situação a tornar persona non-grata nos corredores da companhia.

A ex-funcionária cita ainda os reflexos de um acidente de carro sofrido em 2015, que exigiu uma licença para que ela cuidasse de sua saúde. Ela afirma que ouviu de seus gerentes que “seria melhor se ela fizesse isso apenas em seu tempo livre”, em uma alteração de postura que a surpreendeu. Antes, ela conta trabalhar em um ambiente de apoio, mas, a partir dali, passou a se tornar um alvo de comentários e discriminação.

Por conta de tudo isso, Lee busca compensações pelo que passou. Ela acusa a empresa de ser conivente com situações de abuso moral e sexual, além de apontar falhas e retaliações em seu processo de demissão, em um processo com valor mínimo de US$ 25 mil em indenização.

Em breve declaração oficial, a Google disse apenas que leva as acusações a sério e que analisa com cuidado todas as alegações que recebe. A empresa não comentou o processo diretamente, mas disse que situações de assédio e discriminação vão contra as normas internas da companhia, podendo levar à demissão dos envolvidos.

Fonte: Business Insider

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