Estudo mostra raio-x da intolerância nas redes sociais do Brasil

Por Redação | 04.08.2016 às 21:45 - atualizado em 05.08.2016 às 15:16
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A ideia de que o Brasil é tolerante e acolhedor foi muito difundida nas últimas décadas, porém isso isso vem se mostrando cada vez mais uma grande falácia. A internet abre portas, rompe barreiras e fornece ferramentas muito úteis, porém, no mundo todo ela deu voz a um lado sombrio do ser humano – e no Brasil não é diferente. Um estudo conduzido entre abril e junho pela plataforma Comunica Que Muda monitorou a internet e encontrou dez principais tipos de intolerâncias nas redes sociais do país.

No total, foram analisadas 393.284 menções feitas por internautas de todo o país no Facebook, Twitter e Instagram e também em páginas de blogs e comentários de sites da internet.

Expressões como cabelo ruim, gordo, vagabundo, retardado mental, boiola, malcomida, golpista, velho e nega predominam nas nuvens de palavras encontradas em posts que revelam todo tipo de intransigência ao outro, em relação a aparência, classes sociais, deficiências, homofobia, misoginia, política, idade, raça, religião e xenofobia.

Com o auxílio de o software de monitoramento Torabit, a equipe responsável concluiu que a intolerância de maior audiência no Brasil é a política, com quase 220 mil menções; mais de quatro vezes superior à misoginia, que aparece em segundo lugar (50 mil menções); seguida por preconceitos relacionados a deficiência, aparência e raça. O Rio de Janeiro é o estado com maior volume de postagens intolerantes no país, seguido por São Paulo e Minas Gerais. Em termos relativos, na proporção com o número de habitantes, o Distrito Federal lidera o ranking.

Comunica que muda

O gráfico mostra o percentual de menções negativas dentro de cada universo de menções.

“A intolerância nas redes é resultado direto de desigualdades e preconceitos sociais em geral, não é uma invenção da internet. O que ocorre é que o ambiente em rede facilita que cada um solte seus demônios, ao dar a sensação de um pretenso anonimato. O mundo virtual é, portanto, mais uma forma para que os intolerantes se manifestem e ampliem o seu alcance”, destaca Bob Vieira da Costa, sócio-fundador da agência nova/sb, responsável pela plataforma Comunica Que Muda.

Dados da ONG Safernet mostram que denúncias contra páginas que divulgaram conteúdo do tipo cresceram mais de 200% no país. No primeiro momento, parece que a internet criou uma onda de intolerância. Mas o fato é que as redes sociais apenas amplificaram discursos existentes no nosso dia a dia. No fundo, as pessoas são as mesmas, nas ruas e nas redes. Se não, vejamos: o Brasil lidera as estatísticas de mortes na comunidade LGBT (dado da Associação Internacional de Gays e Lésbicas); mata muito mais negros do que brancos (Mapa da Violência); aparece em quinto em homicídios de mulheres (Mapa da Violência); registrou aumento de 633% nos casos de xenofobia (Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos); e 6,2% dos seus empregadores confessam não contratar pessoas obesas (sites de recrutamento).