Estado Islâmico volta a ameaçar Europa em meio a suposta crise

Por Redação | 05 de Abril de 2016 às 14h37

Um novo vídeo publicado pelo grupo terrorista ISIS colocou a Europa mais uma vez em estado de alerta. Utilizando imagens de atentados recentes, como os de Paris, na França, e Bruxelas, na Bélgica, além das cenas do 11 de setembro, os radicais do Estado Islâmico fala em atacar outras cidades, como Londres, na Inglaterra, Berlim, na Alemanha, ou Roma, na Itália, além de pedir pela morte de infiéis em todo o globo.

Como sempre, as cenas são editadas em ritmo de videoclipe e aparecem sob músicas épicas, em meio a mensagens de ordem como “lutem contra eles” e “a punião de Allah vem por meio de suas mãos”. Na mensagem, os extremistas afirmam que essa é uma mensagem de alerta para os países que, por meio de presença militar, tentam conter o avanço do Estado Islâmico. O vídeo contém imagens fortes.

Trata-se, mais uma vez, de uma tentativa de espalhar a palavra e recrutar novos aliados, principalmente entre os jovens. Chamados muitas vezes de “terroristas da nova era”, o ISIS abandonou o antigo sistema de células e comandos centrais, como o usado pela Al-Qaeda, por exemplo, em prol de uma estrutura descentralizada, que recruta interessados localmente, nos países alvos, e cria uma campanha que conta não apenas com ataques reais como também muita militância online.

É nesse segundo aspecto, entretanto, que muitos especialistas em política internacional afirmam que o grupo está começando a falhar. Os ataques recentes contra a França e a Bélgica, apesar de comemorados como vitórias pelo ISIS, teriam afetado de maneira negativa até mesmo efetuais simpatizantes devido ao caráter culturalmente variado das cidades que sofreram os golpes. Muçulmanos destes locais não apenas temem serem vítimas de atentados, mas também sofrem preconceito por conta deles e, sendo assim, acabam menos propensos a recrutamento, sendo que, em teoria, seriam o principal foco para isso.

O que os estudiosos chamam de “crise de comunicação” também estaria afetando as operações terrestres. Informações não confirmadas sobre a investigação dos atentados em Bruxelas, por exemplo, falam de um grupo terrorista desorganizado e em pânico, enquanto enfrentam a pressão das autoridades, principalmente por meio da vigilância digital, e os ataques aéreos que dizimam as principais cabeças do movimento no Oriente Médio.

O que não significa, entretanto, que as autoridades da União Europeia não estejam cautelosas. A divulgação do vídeo fez com que o governo reforçasse a segurança em aeroportos e outros pontos-chave das cidades afetadas, e o mesmo movimento aconteceu também nos Estados Unidos, mesmo com o país não tendo sido ameaçado. A ideia é que, mesmo em uma suposta crise, o ISIS ainda seria capaz de realizar novos ataques e estaria os planejando. Por isso, todo cuidado é pouco.

Fonte: Independent