Empresas não confiam em plano do governo de oferecer banda larga de 25 Mbps

Por Redação | 03 de Setembro de 2015 às 08h05
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Não é de hoje que o governo tem planos para ampliar a oferta de serviços de internet banda larga em todo o Brasil. Mas essas propostas são olhadas com desconfiança por empresas de telecomunicações e até mesmo por aliados no governo e no Congresso. Prova desse sentimento de dúvida ficou ainda mais acentuado nesta semana, durante um debate no Painel Telebrasil 2015, que discutiu o programa Banda Larga Para Todos.

Na conferência, o governo descreveu a ideia como parte de grandes investimentos para a construção de 100 mil quilômetros de fibras ópticas. Os custos totais das operações estão próximos a R$ 50 bilhões, a serem alavancados a partir de subsídios de R$ 27 bilhões. Por conta dos valores elevados, ainda mais agora que a economia brasileira passa por um momento delicado e que exige cortes de gastos em praticamente todos os setores, as operadoras chegaram à seguinte conclusão: o programa mira na oferta, mas não na demanda.

"O momento é complicado para o Brasil, com a desaceleração da economia. Nas empresas, há preocupações com o câmbio, aumento de insumos como energia elétrica, aumento da inadimplência e agregaria ainda a extremamente alta carga tributária. Certamente, em termos de investimento, nossa capacidade é limitada ou nula diante do cenário", destacou o presidente da Claro, Carlos Zenteno, afirmando que o projeto não conseguirá reunir os recursos estimados.

Além das prestadoras de serviço, o vice-presidente do governo no Senado, Walter Pinheiro (PT-BA), jogou um balde de água fria no programa e criticou o fato do governo querer investir tanto dinheiro que, na prática, não existe. "Não tem como sair dinheiro para banda larga. Apontou-se para uma perspectiva de investimento que não se viabiliza. Não viabilizava antes, em momento de crise menos ainda. Não entendo como alguém poderia sair com os recursos para essa massificação da banda larga. Vai tirar dinheiro de onde?", questionou.

Embora o projeto pareça impossível de sair do papel neste momento, o chefe da assessoria de assuntos econômicos do Ministério do Planejamento, Marcos Ferrari, indicou que o momento é de discutir mudanças no modelo atual e que a partir destas é que poderão ser otimizados recursos do setor privado. "Temos um ano de crescimento negativo, em 2016 projeção de crescimento de 0,2%. Vamos supor que a gente permaneça no zero a zero nesses três anos, são três anos para sentarmos e discutirmos as questões regulatórias que estão travando os investimento nos diversos setores", afirmou.

Na contramão dessas opiniões, o secretário de Telecomunicações do Minicom, Maximiliano Martinhão, garantiu que o plano do governo é viável e, acima de tudo, necessário. "Estamos em uma posição vexatória. Somos o quarto maior mercado de telecom do mundo com velocidades como as que temos. Somos o 89º no ranking. A gente não pode pensar que o sistema sem fio vai ser a solução para grandes municípios brasileiros. Só fazendo investimento em fibra óptica vamos conseguir sair dessa posição", explicou.

O Banda Larga para Todos será o segundo programa do Governo Federal no mercado de internet de alta velocidade e tem por objetivo oferecer 25 Mbps de velocidade para 95% da população até 2018 - atualmente, a velocidade média de navegação é de 6 Mbps. Em 2010, foi lançado o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), que teve sua conclusão no ano passado e responde por volume reduzido dos acessos totais de banda larga fixa do Brasil.

Fonte: Convergência Digital

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