Empresas de tecnologia se unem ao governo para evitar manipulação nas eleições

Por Felipe Demartini | 26 de Junho de 2018 às 11h48
The Daily Post

A sede do Facebook, em Menlo Park, na Califórnia, foi o local de encontro entre oito das maiores empresas de tecnologia do mundo e representantes do governo dos Estados Unidos. O assunto? A disseminação de fake news e a possibilidade de novas manipulações por agentes externos na aproximação de mais uma eleição, que vai acontecer no dia 6 de novembro e eleger deputados e senadores nos EUA.

Além do Facebook, também participaram da reunião a Apple, Google, Amazon, Twitter, Microsoft, Snap e Oath. Todas enviaram representantes para falar com o subsecretário do departamento de segurança nacional, Christopher Krebs. Estiveram presentes, ainda, agentes do FBI que fazem parte de uma força-tarefa voltada para investigar casos de influência externa e também combater esse tipo de manipulação política.

As redes sociais são o grande vetor para isso. Ainda em investigação, por exemplo, está o uso intensivo de anúncios, perfis falsos e manipulações nos algoritmos para exibição de anúncios, discussões e informações que favorecessem um candidato ou outro. Além disso, o escândalo Cambridge Analytica, em que os dados de dezenas de milhões de pessoas foram utilizados de forma indevida em campanhas políticas como as que levaram Donald Trump à presidência dos EUA e à saída do Reino Unido da União Europeia, também foi debatido.

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Por estar no centro de boa parte destas questões, foi justamente o Facebook quem tomou a iniciativa de realizar o encontro, como forma de garantir que todos trabalhem juntos para impedir que ações semelhantes atinjam as eleições de novembro. Entretanto, de acordo com as fontes que falaram em condição de anonimato, o clima foi tenso e acusatório, com as empresas de tecnologia pedindo mais informações aos representantes do governo, que apenas repetiam que tais dados não seriam compartilhados por questão de segurança nacional.

A discordância foi tamanha que muitos acreditam que o tiro saiu pela culatra, com as redes sociais e companhias do setor acreditando estarem sozinhas na luta contra a manipulação. O sentimento foi de falta de reciprocidade, uma vez que os membros da sociedade civil teriam compartilhado dados e informações sobre as campanhas ocorridas em 2016 sem receber uma contrapartida oficial, principalmente em relação a possíveis ameaças que possam estar no radar das agências de inteligência.

Seria um sentimento que vai contra a postura governamental usual, com autoridades pressionando constantemente as redes sociais e empresas de tecnologia para que lidem com os problemas das fake news e da manipulação de discussões, principalmente em assuntos como controle de armas, aborto e liberação de drogas. Todos os caminhos do governo dos EUA apontam para a Rússia, que seria a principal responsável pelas ações e teriam potencial interesse em fazer tudo de novo.

A ideia é que o combate a esse tipo de prática se tornará ainda mais difícil, com hackers e oficiais de inteligência estrangeiros trabalhando de maneiras mais sofisticadas para ocultar seus traços. O alerta é de que o combate a campanhas de manipulação de informação se tornará cada vez mais difícil, com os responsáveis por esse tipo de ato estando muitos passos à frente e avançando cada vez mais.

As fontes, ainda, apontam pouco interesse da Casa Branca em investigar e lidar com esse tipo de ato. Essa iniciativa seria essencial para investigações, ações de combate e, principalmente, a união de agências e empresas em prol do combate às campanhas de manipulação. Mas como tais ações estão relacionadas, mesmo que indiretamente, à eleição do atual presidente dos EUA, o governo não estaria sendo proativo nesse tipo de abordagem.

E este, afirmam os envolvidos, seria um dos principais obstáculos nos esforços atuais, mais do que a versatilidade dos agentes estrangeiros envolvidos ou a disseminação cada vez mais abrangente das fake news.

Fonte: The New York Times

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