Criador da World Wide Web diz que rede precisa de "correção de caminho"

Criador da World Wide Web diz que rede precisa de "correção de caminho"

Por Felipe Ribeiro | 12 de Março de 2019 às 21h50

Parece que Tim Berners-Lee, inventor da world wide web, não está muito satisfeito com que está acontecendo na rede mundial de computadores, criada há 30 anos. Em entrevista para a BBC, ele explica os maiores males que a internet está enfrentando e aponta possíveis soluções, inclusive para problemas de segurança.

Em uma carta aberta divulgada ontem (11) em comemoração ao 30º aniversário da rede — e que foi abordada durante a entrevista — Berners-Lee apontou que atividades maliciosas, como hacking e assédio, projetos de design duvidosos que visam cliques e discussões agressivas ou polarizadas são as atividades que mais minam o uso da internet. Ele, no entanto, disse que, de forma geral, o impacto da rede tem sido bom depois de 15 anos, apesar de sugerir que chegou a hora de uma "correção de meio do caminho".

Sobre a percepção das pessoas quanto à segurança e privacidade, Berners-Lee faz citação ao escândalo envolvendo a empresa britânica Cambridge Analytica, que fora acusada de usar indevidamente, para fins políticos, informações privadas de 87 milhões de usuários do Facebook. Ele explica que esse episódio fez com que os usuários percebessem de forma mais clara como os dados de milhares de indivíduos podem ser manipulados. "Quando o escândalo da Cambridge Analytica veio à tona, as pessoas perceberam que as eleições foram manipuladas com dados que elas forneceram", afirmou na entrevista. Mas ele reconhece, no entanto, que os internautas estão começando a entender melhor os riscos de se estar na rede mundial de computadores.

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Os problemas citados acima podem ser, em parte, combatidos com novas legislações e sistemas que limitem o mau comportamento online. Berners-Lee cita, como exemplo, iniciativas como o projeto Contract for the Web, que ele ajudou a lançar no ano passado. "O Contract for the Web almeja colocar as coisas de volta no caminho certo, mas depende da vontade de governos e empresas para conter abusos e também da população, que precisa pressionar para que as coisas mudem", explica.

A visão de Berners-Lee é "ao mesmo tempo utópica e realista", disse Jonathan Zittrain, autor do livro The Future of the Internet - and How to Stop It ("O Futuro da Internet - E Como Impedi-lo", em tradução literal). "O criador da rede acredita na ideia de que uma internet livre e aberta capacitaria seus usuários, em vez de reduzi-los a meros consumidores," diz Zittrain, à BBC.

Fonte: BBC

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