Em audiência, Google minimiza participação em manipulação das eleições de 2016

Por Redação | 06 de Novembro de 2017 às 13h18
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Depois de anos tentando, sem sucesso, criar uma concorrente para Facebook e Twitter, principalmente, a nova postura da Google é de que a empresa não é do ramo das mídias sociais. A afirmação foi feita por Kent Walker, conselheiro geral da companhia, em uma audiência com senadores e outras autoridades americanas sobre a influência russa na campanha presidencial americana de 2016.

A declaração veio durante as conversas entre os políticos e executivos. Para Walker, é preciso que a investigação trace uma linha entre o modus operandi de Facebook e Twitter, por exemplo, e o trabalho que é realizado pela Google. A compra de anúncios foi uma das grandes artimanhas usadas pelos russos para orientar a população online a um dos lados da moeda política do ano passado.

A gigante das buscas é apontada pelo governo dos EUA, assim como o Facebook e Twitter, de formar o grande tripé de uma operação de desinformação voltada a manipular a opinião pública em prol da vitória do atual presidente, Donald Trump. Ele seria mais “favorável” ao Kremlin do que sua rival, Hilary Clinton, o que levou à aquisição de anúncios, utilização de robôs, vazamento de informações e disseminação de notícias falsas durante os meses anteriores às votações.

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Kent Walker, conselheiro geral da Google, fala durante audiência no senado americano. Foto: The NY Times

Walker, entretanto, afirma que a maneira com a qual a Google lida com links patrocinados é essencialmente diferente, e por isso, o congresso deveria diferenciá-la das outras que também fazem parte da investigação. Segundo o conselheiro geral, a maior discrepância aqui é que tais propagandas são vistas até mesmo por aqueles que não estão logados nos serviços da companhia, o que dificulta, até mesmo, saber exatamente quantas pessoas foram atingidas pelas propagandas.

Com isso, afirma, muda também a forma como a companhia lida com os dados de seus utilizadores e a maneira com a qual eles interagem com o conteúdo. Em vez de mensagens que aparecem entre as publicações de amigos, conhecidos e páginas de interesses, podendo gerar certa confusão, os resultados aparecem destacados, com indicações de se tratarem de links patrocinados, e somente entre buscas que seriam relevantes aos anunciantes.

Assim, Walker rejeitou a afirmação dos senadores americanos de que a Google deveria notificar usuários expostos a propagandas contratadas por governos estrangeiros. Ele citou, mais uma vez, a dificuldade técnica imposta pelo fato de muita gente usar os serviços de busca sem a realização de um login, além da segmentação de pesquisas e anúncios que pode tornar o alerta, também, um foco de manipulação política.

De acordo com as conclusões preliminares do inquérito, pelo menos três mil anúncios teriam sido publicados no Facebook como parte da campanha de desinformação. No Twitter, seriam também alguns milhares, mas os números relacionados especificamente à Google não são certeiros. A empresa diz estar investigando para entender exatamente quem utilizou seus serviços para esse fim e como tudo isso aconteceu.

Além dos anúncios, a campanha do Kremlin também teria usado vídeos no YouTube. Tais publicações, entretanto, não teriam sido patrocinadas para aparecerem como propagandas, mas sim, utilizadas como apoio para outras publicações monetizadas, principalmente no Twitter, apesar de as publicações não terem recebido tantas visualizações quanto se esperava, diante do alcance total dos textos em si.

Exemplos de anúncios usados em campanha do governo russo. (Foto: Reuters)

Em sua maioria, as publicações traziam mensagens contra Hilary Clinton, de forma a minar sua candidatura e implantar informações, muitas vezes falsas, sobre ela. Além disso, também foram detectadas posturas de ódio contra minorias, grupos religiosos e organizações políticas, voltadas para inflar ramos da sociedade que se mostravam favoráveis às ideias de Trump.

Aos poucos, representantes de empresas de tecnologia e especialistas em tecnologia e segurança da informação estão sendo convidados pelo senado para prestarem depoimentos ou darem suas interpretações sobre o caso. Uma das conclusões principais desses encontros, pelo menos de acordo com o que foi divulgado até agora, foi que a falta de fiscalização quanto aos sistemas de anúncios, da parte das empresas, foi o principal motor da campanha realizada pelos russos.

Além disso, senadores e especialistas concordam que empresas como Facebook, Google e Twitter não apenas subestimaram suas posições como veículo de influência sobre a opinião pública, mas também a maneira com a qual inimigos do estado americano poderiam utilizar essas ferramentas para os próprios fins. A noção, para muitos envolvidos no inquérito, é de que os representantes das companhias estão tão perplexos com o ocorrido quanto os próprios políticos e o povo americano.

O congresso ainda desvia da noção de que essa campanha teria importância definitiva na escolha dos cidadãos entre a candidata e o presidente eleito, Donald Trump, apesar de a opinião pública e analistas associados à investigação já darem essa conclusão como certa. O inquérito continua e ainda não tem data para chegar ao fim.

Fonte: The New York Times, Reuters

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