Design flat deixa navegação 22% mais lenta em websites, aponta estudo

Por Redação | 11 de Setembro de 2017 às 11h20
photo_camera http://www.onextrapixel.com

O design flat tomou o mundo de assalto, com suas cores sólidas e fontes simples surgindo, primeiro, em players de música e sistemas mobile para, mais tarde, aparecer em praticamente todo tipo de aplicação digital. A Microsoft o utiliza, a Apple também, assim como o Google, Spotify, Netflix e tantos outros serviços. O estilo é um dos padrões atuais do mundo online, mas de acordo com um estudo da Nielsen Norman Group, ela também pode deixar a navegação dos usuários 22% mais lenta.

E isso não se deve ao fato de eles estrem admirando a beleza dos layouts, mas sim, a uma confusão gerada por eles, principalmente no que toca a distinção entre elementos visuais, textos comuns e botões que levam as pessoas adiante. Para a firma, essa dificuldade com a interface pode estar levando a perdas de bilhões de dólares em anúncios, para páginas monetizadas por eles, ou empresas de comércio eletrônico.

Para realizar o estudo, a Nielsen colocou 71 usuários de perfis distintos no que toca a intimidade com a tecnologia diante de nove sites que usem o estilo. Todos tiveram seus olhos e movimentos rastreados, bem como o tempo de utilização e passagem de páginas cronometrado. Eles deveriam realizar tarefas simples, como utilizar um serviço ou realizar uma compra, tanto em sites com interface flat quanto naquelas que não façam uso desse tipo de design.

O resultado mostrou que quase um quarto dos participantes levou mais tempo utilizando a interface sólida, teoricamente mais simples, mas também com menos apoios visuais. O estudo mostrou que os usuários passaram mais tempo entendendo quais indicadores eram botões e quais eram textos simples, antes de seguir em frente com as atividades propostas.

Para a Nielsen, o resultado do teste é um indicador de que o argumento de que o design flat leva a mais engajamento está errado. Os usuários podem até passarem mais tempo nas páginas, mas isso não significa que eles estão mais interessados nela, mas sim, demoram mais para conseguir seguir em frente. Essa demora leva a frustração, que pode resultar na desistência de uma compra online ou na busca por veículos de comunicação que sejam mais “claros”, por exemplo.

Por outro lado, os pesquisadores apontam benefícios para plataformas que não precisam de interação. Caso não existam muitos botões ou navegação a serem feitas, o design flat funciona e muito bem por, justamente, manter os usuários mais atentos ao que está na página, cujas informações são exibidas de forma mais simples e sem muitos elementos visuais que possam distrair.

Ao final, a recomendação é de cuidado com a utilização, de acordo com o uso. Como toda e qualquer solução, ela dificilmente pode ser aplicada da mesma maneira a todos os casos, e não é diferente com o design flat. Prova disso, para a Nielsen, é que os sistemas, hoje, se afastam cada vez mais do formato inicial do estilo, investindo em mais recursos visuais para facilitar a navegação, na medida em que os olhos dos usuários vão se acostumando com a proposta.

Fonte: The Register