"Desafio do balde de gelo” gerou avanços contra esclerose

Por Redação | 27 de Julho de 2016 às 12h55
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Assim como boa parte das grandes mobilizações online, o “desafio do balde de gelo” foi criticado em seu auge, em meados de 2014, pela tração e popularidade que ganhou. Entretanto, os US$ 100 milhões arrecadados pela ALS Association na época permitiram um grande avanço nas pesquisas contra a esclerose lateral amiotrófica, com a indicação de um gene que estaria associado à doença.

A descoberta foi fruto de uma pesquisa global, que envolveu 80 pesquisadores em 11 países (incluindo o Brasil), e foi financiada com parte dos US$ 100 milhões arrecadados pela associação como parte do desafio. A partir da análise do genoma de 15 mil portadores, foi possível localizar um gene chamado NEK1, que estaria presente em apenas 3% dos pacientes, mas teria aparecido tanto em casos com origem genética quanto esporádicos.

O número pode ser baixo, mas representa um dos principais caminhos para o desenvolvimento de tratamentos para as duas formas de surgimento da doença. É também uma das grandes descobertas desde que a ELA ganhou a atenção do público, podendo levar, no futuro, a possibilidades de prevenção em pacientes com propensão, principalmente genética, a desenvolver a doença.

Indo contra a corrente do “ativismo de sofá”, o vice-presidente de comunicações da ALS Association, Brian Frederick, destacou a importância da mobilização online. Para ele, a popularidade do “desafio do balde de gelo” levou a um total recorde de doações na história da organização, algo que levou ao financiamento completo da pesquisa que levou à descoberta recente e a novos avanços no tratamento e prevenção da esclerose.

Caso você não faça a menor ideia do que estamos falando, o “desafio do balde de gelo” aconteceu em meados de 2014 e contou com a participação tanto de anônimos quanto de grandes personalidades como Mark Zuckerberg, Justin Bieber, Bill Gates, Tom Cruise e Dave Grohl, apenas para citar alguns.

Na corrente, os participantes desafiavam uns aos outros para fazerem doações à ALS Association ou, então, gravar um vídeo de si mesmos jogando um balde de água com gelo sobre a cabeça, como forma de chamar atenção para a doença. Em muitos casos, entretanto, os participantes fizeram as duas coisas, o que levou ao recorde de doações para a instituição.

Fonte: The Guardian