Cubanos caminham quilômetros para publicar vídeos em seus canais do YouTube

Por Patrícia Gnipper | 09 de Março de 2018 às 15h00
Yamil Lage/AFP
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"Isto é o que eu gosto de fazer", disse Frank Camallerys, de 19 anos, um YouTuber cubano que estuda comunicação. Mas, por lá, não é nada fácil gravar e publicar em seu canal na plataforma de vídeos. Acontece que, em Cuba, a conexão com a internet ainda é limitada.

Segundo reportagem da AFP, há YouTubers cubanos que caminham quilômetros até conseguir um ponto onde há acesso à internet, sendo que o upload dos vídeos pode demorar uns 40 minutos para ser completado. Frank conta que, como não há internet em sua casa, ele costuma caminhar 3 km até uma praça pública onde há um hotspot de WI-Fi para tal – o que custa US$ 1 por hora.

Cerca de 50 jovens cubanos estão tentando se aventurar como vloggers, mas ganhar seguidores locais também não é algo fácil. A internet fixa é escassa, mas, ao menos, o monopólio estatal de telefonia vem trabalhando para que a conexão móvel chegue ainda em 2018 no país. Em seu canal, Frank costumava pedir 30 likes para conseguir fazer uma segunda edição de algum tema, mas, hoje, já tem mais de 7,5 mil inscritos. Só que esses seguidores, em sua maioria, não são de Cuba.

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Grupo de YouTubers cubanos (Foto: Yamil Lage/AFP)

Uma solução criada localmente, para que a população possa consumir conteúdos digitais, é a distribuição de um "pacote": um conjunto de conteúdos digitais salvos em um cartão USB, que, ao passar de mão em mão, difunde aquele material. O pacote é atualizado semanalmente por distribuidores que, usando a rede convencional, obtêm os conteúdos, oferecendo-os por US$ 1 para quem quiser salvar coisas como novelas, séries, partidas de futebol e basquete, reality shows e também vídeos de YouTubers famosos.

E, assim, os habitantes de Cuba conseguem descobrir o que seus conterrâneos estão produzindo, com tanto esforço. É o caso de Emma López, de 18 anos. Ela conta que seu primeiro vídeo teve apenas três visitas, até que começou a circular pelo "pacote" e, hoje, seu canal atinge todo o país. E, à medida em que mais cubanos procuram as praças públicas para acessar a internet, esses canais vão ficando, aos poucos, mais conhecidos por lá.

Segundo o governo cubano, na ilha existem 4,5 milhões de pessoas que acessam a internet de alguma maneira. Ainda, segundo estimativas, o "pacote" pode atingir até 9 milhões de usuários (sendo que o pais tem 11 milhões de pessoas). Já quanto ao acesso complicado à rede mundial de computadores, o governo cubano diz que tem o direito de controlar os conteúdos acessados por sua população; contudo, não vê a distribuição do "pacote" com maus olhos.

Para competir com a iniciativa popular, o governo chegou a lançar a proposta da "mochila", também um cartão USB repleto de conteúdos culturais.

Fonte: G1

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