Crimes de ódio pela internet serão julgados como crimes reais no Reino Unido

Por Redação | 22 de Agosto de 2017 às 17h55

O Ministério Público do Reino Unido determinou que os crimes de ódio que acontecerem no ambiente virtual serão julgados com os mesmos critérios e rigor dos crimes do mesmo tipo que acontecem no “mundo real”. Entende-se como crime de ódio aquelas ofensas e hostilidades relacionadas a preconceitos como racismo, sexismo, xenofobia e homofobia.

O órgão divulgou na segunda-feira (21) um guia sobre o assunto, que contém diretrizes para que as autoridades prestem o devido suporte às vítimas desse tipo de situação. A ideia é que essa decisão encoraje a população a pressionar, ainda mais, os tribunais para determinarem sentenças maiores sobre crimes de ódio.

Isso porque, segundo Alison Saunders, promotora do MP do Reino Unido, o crime de ódio ainda é subestimado na região, muitas vezes sendo encarado como algo menos grave do que realmente é. E, quando acontece no ambiente virtual, esse cenário fica ainda mais gritante. Saunders também crê que esse tipo de crime online pode incentivar outras pessoas a adotarem o mesmo comportamento, resultando em movimentos como o que aconteceu recentemente em Charlottesville, nos Estados Unidos, em que neo-nazistas e defensores da supremacia branca marcharam contra negros, judeus e homossexuais.

“O impacto do abuso de ódio sobre uma vítima é igualmente devastador” no ambiente online em comparação ao mundo offline, opinou Saunders, que acredita, ainda, que se o crime é ilegal nas ruas, também deve ser ilegal da mesma forma na internet.

Já aqui no Brasil, ainda não existe um departamento público dedicado para esse tipo de ocorrência, mas as vítimas de crimes envolvendo ódio podem denunciar racismo e outros crimes preconceituosos para a polícia, enquanto as ofensas virtuais também devem ser enviadas para a Safernet, cuja missão é defender e promover os direitos humanos na rede mundial de computadores.

Fonte: Reuters