Como preparar as crianças para o futuro?

Por Fernando D´Angelo | 12 de Outubro de 2019 às 14h00
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Há muito tempo venho me questionando sobre o modelo correto de educação para as crianças nascidas neste início de século. Com tantos atrativos fora da escola, com tantos estímulos não-estruturados ao longo do dia, com tanta reviravolta tecnológica, com tanta diversidade sociocultural e com tantas lacunas em relação ao nosso futuro, os modelos tradicionais de educação já não conseguem preparar as crianças para o futuro.

Tenho dois filhos, um de 5 anos e um de 12. Ambos cheios de questionamentos que desafiam o status-quo. A cada pergunta, a cada ação, a cada pensamento, a cada vontade por eles expressada sou colocado em xeque. E nesses momentos, tenho que decidir entre seguir ou transgredir as doutrinas tradicionais e desafiar o discurso pedagógico, enfrentar a reprovação das pessoas ao nosso redor, passar por cima da insegurança e engolir a seco o orgulho quando algo dá errado.

Enquanto as escolas prezam pelo bom comportamento em sala de aula (ex: não pode usar celular durante a aula, o que poderia ser um excelente aliado), pela busca das respostas certas, pela rotina nos estudos diários, pela punição aos que erram (ao tirar notas baixas nas provas, por exemplo), pela padronização de conteúdo e das resoluções de problemas (todo mundo aprendendo a resolver o mesmo problema, sempre do mesmo jeito, e ao mesmo tempo), pelo sucesso no vestibular, pela hierarquia social (professores ensinam, alunos aprendem) e por tantos outros valores tradicionais, o mundo está caminhando em uma direção totalmente oposta.

O mundo não é conteudista e regrado. O mundo é um mar de desafios.

As crianças não deveriam aprender as respostas certas, e sim, a fazer perguntas questionadoras, capazes de trazer novos pontos de vista (as respostas estão no Google).

O futuro não é previsível e retilíneo, e sim um lugar caótico, repleto de incertezas.

Rotinas sólidas e regras, conhecimento conteudista no estilo “cai no vestibular” e provas avaliativas que “medem” o conhecimento da criança de nada servem para quem vai trilhar o futuro.

É necessário munir essas crianças com capacidades que vão além do currículo escolar tradicional. As crianças precisam aprender a fazer a elaborar perguntas, a pesquisar, a enxergar diversos pontos de vista, a negociar, a tomar decisão. Como disse Alvin Toffler, “o analfabeto do século 21 não é aquele que não sabe ler, e sim aquele não consegue aprender, desaprender e reaprender de forma diferente”.

Os adultos do futuro precisam aprender a construir, desconstruir e reconstruir de forma diferente. É como se a vida fosse um LEGO. Até porque tem que ser divertido. E será!

Bem-vindos ao Século 21.

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