Como David Bowie previu (e moldou) a internet

Por Redação | 13 de Janeiro de 2016 às 11h53
photo_camera Divulgação

A notícia da morte do cantor David Bowie no último domingo (10) pegou muita gente de surpresa. Tanto que não demorou para que as homenagens invadissem as redes sociais e os produtos relacionados ao cantor se tornassem sucesso nas plataformas de streaming e lojas online. Teve até quem relembrou a importância do artista no mundo dos games. No entanto, o que pouca gente sabe é que, de uma forma ou de outra, Bowie previu o futuro em diversos momentos da sua carreira.

E não apenas na moda, ao mostrar que a androgenia poderia ser uma tendência ou fazer coisas que só seriam imitadas pela Lady Gaga décadas depois. Quando a internet ainda era apenas um brinquedo caro para muita gente, ele viu naquilo um enorme potencial e deixou isso bem claro para o mundo. Em uma entrevista concedida à emissora britânica BBC no início dos anos 2000, Bowie disse que aquela nova tecnologia não era apenas uma ferramenta e estava bem longe de ser somente um sistema de entrega de mensagens mais elaborado.

Em conversa com o jornalista Jeremy Paxman, o artista diz que, com a internet, eles estavam diante de algo emocionante e, ao mesmo tempo assustador. O curioso é que o entrevistador parece discordar dessa visão e Bowie afirma que o verdadeiro contexto daquela tecnologia ainda tão nova seria algo muito diferente daquilo que eles poderiam imaginar naquele momento. E uma das previsões que ele fez nessa conversa e que se concretizaram pouco tempo depois foi que essa nova mídia iria acabar com as barreiras que separavam o criador de conteúdo de seu público.

Watch Bowie perfectly predict the internet's impact on music and society 15 years ago.

Publicado por FACT Magazine em Segunda, 11 de janeiro de 2016

Assim, uma década e meia antes de Facebook, Twitter e Instagram, David Bowie conseguiu visualizar aquilo que a internet e as redes sociais se tornariam: uma maneira de aproximar os fãs de seus artistas. E não apenas criando canais de comunicação entre eles, mas acabando com a aura mística que esses astros sempre tiveram, como descreve o cantor. E é assustador ver como ele estava certo em relação a isso.

O Camaleão do Rock continua dizendo que a internet possui um "poder comunal", ou seja, a habilidade de acabar com a era dos mitos da música, como foram os Beatles, e fazer com que a coisa toda se tornasse mais popular e focada em seu público. E basta ver como o cenário atual é separado em nichos e muito baseado no YouTube e serviços de streaming para ver o quanto ele estava certo.

Assim, Bowie conclui, em plenos anos 2000, que aquela internet que eles tinham na época não era nem mesmo a ponta do iceberg que estava por vir. Apesar de considerar a rede um elemento quase de rebelião para a sociedade, o cantor diz ser incapaz de imaginar os impactos daquela tecnologia. E, de fato, ao longo desses mais de 15 anos, muita coisa mudou e ele conseguiu testemunhar suas palavras se tornando realidade.

Criando conceitos

Mas a visão além do alcance de David Bowie não se restringiu apenas ao seu discurso na TV. Na verdade, mais do que falar bonito em uma entrevista, ele fez muito para o mundo da tecnologia. Prova disso é que ele foi pioneiro em vários setores e praticamente fundamentou conceitos que se tornaram padrões na indústria mais tarde.

Exemplo disso é que, em 1996, ele foi o primeiro grande músico a disponibilizar uma nova música à venda na internet, quando a rede ainda era algo desconhecida para muita gente. Na época, a canção Telling Lies vendeu cerca de 300 mil unidades e foi um marco dentro da indústria fonográfica fazendo algo que, atualmente, é o básico para qualquer artista.

David Bowie

Antes mesmo disso, em 1994, ele lançou um CD-ROM junto com a faixa Jump, They Say. A ideia do conceito era permitir que os seus fãs montassem seus próprios clipes para a música. Sabe aquelas montagens que não param de aparecer no YouTube juntando imagens aleatórias e uma música qualquer? Pois Bowie imaginou isso muito antes do serviço do Google. Além disso, ainda na década de 90, ele ajudou o time de baseball New York Yankees a desenvolver seu primeiro site.

É claro que ele nunca foi um webdesigner, mas tinha uma visão de futuro que o permitia saber o que o público queria ver naquele ambiente digital ainda pouco explorado. Tanto que, quando ele fez a sua página, imaginou um lugar onde os fãs podiam acessar fotos e vídeos, além de algumas músicas — incluindo algumas inéditas para o álbum que ele ainda estava desenvolvendo. E, em uma época sem Facebook, ele criou uma plataforma de bate-papo para se aproximar das pessoas.

BowieNet

Além disso, o chamado BowieNet funcionava quase como um protótipo daquilo que um dia viria a ser o MySpace e a própria rede social de Mark Zuckerberg. Ao custo mensal de US$ 19,95, o usuário tinha acesso a incríveis 5 MB para personalizar sua própria página, adicionando fotos pessoais e alguns plugins que permitiam o uso de áudio e vídeos. Assim, cada pessoa podia criar e customizar sua página para interagir com os outros — tudo isso de um jeito que nos é bem familiar hoje em dia.

Como o Yahoo! aponta, esse é apenas um exemplo de como David Bowie foi capaz de perceber as mudanças que estavam por vir. Isso era algo no qual ele se destacava, o que o permitiu estar sempre à frente de seu tempo. Assim, enquanto as pessoas ainda tentavam entender o que a internet fazia, ele trouxe a BowieNet e todas as suas possibilidades para mostrar o quanto aquela ideia de computadores conectados ia fazer parte de nossas vidas, nem que fosse para discutir gostos musicais.

Via: FACT Magazine (Facebook), Yahoo Tech

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