Com preços altos, Internet deixa de crescer no Brasil em 2015, aponta CGI.br

Por Rafael Romer | 13 de Setembro de 2016 às 13h58
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O crescimento do acesso doméstico à Internet no Brasil permaneceu estável entre 2014 e 2015 e deverá exigir o desenvolvimento de novas políticas públicas para seguir avançado no país, é o que revela a 11ª edição da pesquisa anual TIC Domicílios 2016, promovida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

De acordo com o estudo, foram registrados 34,1 milhões domicílios conectados no Brasil ano passado, o que representa 51% do total de residências do país. O percentual teve um crescimento apenas dentro da margem de erro em relação aos 50% de domicílios com acesso à Internet registrados em 2014, o que indica que avanço da conectividade no país pode ter atingido o teto.

Para que a Internet siga avançando, o CGI.br destaca que é necessária a discussão de novas políticas para regulação do mercado, envolvendo questões tributárias e de redução do preço de acesso, que ainda é um fator limitante para grande parte das famílias brasileiras desconectadas. Dos 32,8 milhões de domicílios sem acesso a Internet no país, 30 milhões deles pertencem hoje às classes C, D e E.

A disparidade também é grande quando a divisão é feita por regiões geográficas: enquanto Sudeste e Sul ficam acima da média nacional com, respectivamente, 60% e 53% de seus domicílios conectados, Centro-Oeste (48%), Nordeste (40%) e Norte (38%) ainda têm a maior parte de seus domicílios sem acesso à Internet.

"As desigualdades socioeconômicas e regionais são persistentes e essa estabilidade pode ser sinal de que, nas condições atuais de preços de acesso à banda larga do Brasil, nós podemos ter atingido o limite da capacidade de consumo desse serviço", avaliou Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). "Nós certamente precisamos ter políticas que possam mudar essa dinâmica de mercado".

Mesmo sem ter crescido nos domicílios, o acesso à Internet tem avançado entre a população brasileira. Dos entrevistados, 58% afirmam que navegaram na Internet ao menos uma vez nos três meses anteriores à pesquisa, em um total de 102 milhões de usuários – um crescimento em relação aos 53% observados na edição anterior do levantamento.

Pela primeira vez, o estudo também revelou que celulares se tornaram o principal meio de acesso à Internet no Brasil. No total, 89% dos respondentes indicaram que acessam a Internet pelo telefone celular, contra 65% que o fazem por meio de um computador desktop, portátil ou tablet. No ano passado, 80% das conexões foram feitas pelo computador, contra 76% por smartphones.

O resultado é visto como positivo pelo comitê, mas levanta questões sobre o desenvolvimento das capacidades de navegação por parte da população.

Em geral, interfaces móveis ainda são consideradas mais limitadas em relação aos computadores tradicionais, o que pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades de interação com dispositivos tradicionais em situações profissionais ou para uso de governo eletrônico.

"Isso é algo com o que políticas públicas deveriam estar preocupadas, por exemplo, através de políticas de desenvolvimento dessas capacidades na escola", comentou Barbosa.

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