Com fim de prazo, canais pequenos perdem monetização no YouTube

Por Felipe Demartini | 20 de Fevereiro de 2018 às 14h16
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Chega ao fim nesta terça-feira (20) o prazo para que os canais do YouTube se adequem às novas regras do programa de parcerias da plataforma. Anunciadas no final de janeiro, as novas regras exigem que os criadores tenham, no mínimo, mil inscritos e quatro mil horas de conteúdo assistido ao longo dos últimos 12 meses para que possam continuar a monetizar os vídeos.

A medida, anunciada como uma forma de proteger os ganhos de canais consistentes e que contribuem para o crescimento da plataforma, caiu como uma bomba para criadores pequenos. E, a partir desta terça, a esmagadora maioria deles perde a possibilidade de gerar renda com suas criações, fazendo com que até mesmo investimentos no próprio canal sejam ainda mais difíceis de serem realizados.

Ao falar publicamente sobre a mudança, em janeiro, o YouTube afirmou que 99% dos canais afetados recebiam menos de US$ 100 ao ano – mínimo necessário para que o envio de dinheiro à conta seja realizado –, enquanto 90% deles não chegaram a lucrar US$ 2,50 ao longo de dezembro de 2017. Sendo assim, eles não serão mais elegíveis para monetização – uma vez que, em teoria, nem mesmo dependeriam disso para seguir adiante.

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Em contrapartida, o YouTube afirma que todos aqueles que não são parceiros, ou que deixarem o programa nesta semana, poderão aplicar para recuperarem a monetização uma vez que alcancem os patamares necessários. Como mais uma das medidas de proteção citadas pela empresa, esse processo será feito manualmente, com uma revisão humana do conteúdo e frequência de postagens de forma a garantir que os vídeos publicados sejam adequados para veiculação de anúncios.

Além disso, a Google ofereceu outras alternativas de monetização para os nanicos, como um destaque maior para links externos que levem aos próprios programas de financiamento coletivo, em sites como Patreon, Kickstarter e outros. A iniciativa veio após as fortes críticas de criadores sobre as mudanças, que, como dito, deixaram, de repente, muita gente sem os já poucos centavos de dólar que a empresa pagava por suas criações.

Mãos atadas

Preocupados com a situação, muitos criadores recorreram às suas networks – empresas que gerenciam canais e auxiliam com divulgação, realizam pagamentos mensais, viabilizam parcerias e contratos comerciais, entre outros aspectos do dia a dia de um YouTuber. A resposta foi triste: nenhuma das redes poderia fazer algo a esse respeito e a perda da parceria com o YouTube também significava o fim do contrato com tais companhias.

Foi um comentário ecoado também pela Nintendo, que, nesta semana, enviou e-mail para todos os participantes de seu programa de criação lamentando que, a partir de agora, muitos deles não poderão mais monetizar seus vídeos. Mais uma vez, a parceria com o YouTube é necessária para que os canais sejam vinculados à Big N, e aqueles que não tiverem esse aspecto ativado não poderão mais contar com esse suporte.

Diante da situação, muitos criadores se uniram em grupos buscando apoio e, acima de tudo, um crescimento em números. Campanhas desse tipo também contaram com o apoio de grandes YouTubers, como a americana Anna Brisbin, que criou um grupo dedicado apenas a pequenos produtores, de forma que eles possam buscar colaboração, dicas e divulgação para atingir os patamares pedidos pela plataforma.

Muitas dúvidas

Além disso, restam dúvidas em relação aos critérios impostos pelo YouTube, que não foram esclarecidos pela Google nem mesmo após ser questionada sobre o assunto. O mínimo de quatro mil visualizações é uma constante, tendo de ser mantido de forma consistente? Ou é possível perder a parceria caso uma queda brusca aconteça e os canais acabem ficando abaixo deste patamar?

Ainda, como fica a situação do dinheiro, mesmo que pouco, acumulado ao longo do tempo em que a parceria estava ativa? Como dito, somente é possível solicitar a transferência após a conta atingir um mínimo de US$ 100. Até lá, o total obtido até o fim da parceria ficará retido ou poderá ser sacado pelos criadores em caráter de exceção?

A Google ainda não falou sobre nada disso e, mesmo em sua conta no Twitter dedicada a relações com criadores de conteúdo, não fez menção à “morte” das parcerias que acontece a partir de hoje. Um dia difícil para criadores pequenos que, agora, perdem mais um dos poucos incentivos que possuem para continuarem trabalhando e seguindo adiante em uma plataforma tão concorrida.

Fonte: YouTube Creators Blog, Smaller Creators Unite (Facebook), Polygon

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