China vai começar a bloquear VPNs em março

Por Redação | 02 de Fevereiro de 2018 às 13h52

A China anunciou que, a partir de março, bloqueará todo e qualquer serviço de VPN que não tiver sido aprovado oficialmente. A medida se aplicará, principalmente, a fornecedores internacionais desse tipo de serviço, bastante usado pelos cidadãos do país para circundar o Grande Firewall e acessar serviços normalmente bloqueados no território, como redes sociais e aplicativos de mensagem.

Em um comunicado oficial sobre o caso, Zhang Feng, engenheiro-chefe do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês, afirmou que todos aqueles que quiserem trabalhar com esse tipo de serviço no país deverão se cadastrar junto às autoridades. Entretanto, os sistemas só poderão operar após aprovação, em uma iniciativa que, segundo ele, vem para regularizar a infraestrutura online do país e evitar ataques à soberania nacional.

Em seu pronunciamento, Zhang falou sobre alguns dos quesitos, principalmente, para os operadores internacionais desse tipo de serviço. Eles deverão utilizar linhas de comunicações gerenciadas pelo governo para levarem as conexões dos chineses para fora do país, com uma infraestrutura dedicada a isso sendo fornecida pelas autoridades chinesas.

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Além disso, o ministério pediu ajuda às operadoras de telecomunicações, que deverão trabalhar para impedir o acesso de seus clientes a serviços internacionais de VPN. Zhang evitou falar em penalidades para quem for pego utilizando uma rede não autorizada, nem comentou sobre possíveis sanções a companhias que sejam flagradas fornecendo esse tipo de serviço sem a devida autorização.

O anúncio oficial é mais uma fase de um processo que, na realidade, começou em meados do ano passado. Na época, a China iniciou o trabalho contra as redes privadas virtuais por meio de declarações na imprensa e contatos com parceiros, o que levou, por exemplo, a Apple a remover boa parte dos softwares desse tipo da App Store disponível no país.

O movimento também levou grandes nomes desse setor a deixarem voluntariamente o país, tanto por não concordarem com as regras chinesas quanto para evitarem um banimento direcionado. Enquanto isso, ONGs a favor da liberdade na internet citam a atitude como antidemocrática, uma vez que as VPNs, muitas vezes, são utilizadas por cidadãos para acessarem informações proibidas no país, bem como enviar relatos para fora dele sem o monitoramento governamental.

É justamente essa, agora, a característica que mais vem sendo criticada. As VPNs aprovadas poderão utilizar linhas de comunicação controladas pelo governo, algo que, apesar de permitir o funcionamento das redes, torna as informações trafegadas por elas suscetíveis a controle, monitoramento e, principalmente, rastreamento.

O governo chinês não deu uma data específica para o início dos banimentos, mas disse que a aplicação deles deve começar no final de março. Até lá, as empresas interessadas em operarem no país com esse tipo de serviço têm um tempo para se adequar às novas regras.

Fonte: Radio Free Asia

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