China bloqueia acesso dos cidadãos à Wikipédia em todos os idiomas

Por Felipe Demartini | 13 de Maio de 2019 às 18h38
Associated Press

O governo chinês bloqueou completamente o acesso à Wikipédia para os habitantes do país. A proibição, que começou a entrar em vigor no final de abril, atinge todas as páginas e idiomas da enciclopédia, restringindo completamente a utilização da plataforma por qualquer um que esteja no país. A proibição teria a ver com o 30º aniversário dos protestos na Praça da Paz Celestial.

O Grande Firewall, como é chamado o sistema que restringe e controla as comunicações via internet na China, já tem a Wikipédia bloqueada desde novembro de 2016, mas apenas em sua versão em chinês. Esta, por outro lado, é a primeira vez que versões internacionais são impedidas no país, em um processo que, de acordo com a Greatfire, uma ONG especializada no monitoramento de censura, começou no dia 22 de abril.

A proibição no acesso veio sem maiores detalhes por parte do governo chinês, que não divulgou especificamente as razões por trás do bloqueio. A aproximação do aniversário dos protestos, entretanto, é especulada como o motivo pelo fato de os órgãos de comunicação, tradicionalmente, censurarem todo tipo de tentativa de discussão sobre o assunto nas redes sociais e meios de comunicação do país, principalmente na época em que o massacre comemora mais um ano.

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Da mesma forma, ao não falar sobre o assunto, o governo também não revelou se a proibição é permanente ou temporária, como aconteceu com o Bing. Em janeiro deste ano, o motor de buscas da Microsoft foi bloqueado na China por algumas semanas, voltando a funcionar em fevereiro, sem que uma palavra oficial sobre o assunto fosse dita.

As manifestações lideradas por estudantes aconteceram em um período de semanas ao longo do primeiro semestre de 1989 e levaram cerca de cinco mil pessoas à Praça da Paz Celestial, um dos mais reconhecidos de Pequim. Apesar de os protestos contra a repressão e a situação econômica chinesa estarem ocorrendo desde o dia 15 de abril, o 4 de junho ficou reconhecido como o dia em que o exército reprimiu os manifestantes de forma mais violenta, levando a centenas de mortos e milhares de feridos. Na mesma data, o governo também declarou lei marcial no país como forma de justificar o combate violento àqueles contrários ao regime.

O movimento gerou uma das imagens mais famosas da história do mundo, quando um único indivíduo anônimo, apelidado de “rebelde desconhecido”ou “homem do tanque” impediu a passagem de blindados que tentavam deixar a Praça da Paz Celestial, no dia 5 de junho de 1989, depois do massacre. A identidade dele ou seu destino jamais foi conhecido, enquanto possíveis nomes divulgados pela imprensa internacional sempre foram negados pelo governo chinês.

Fonte: OONI

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