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Chelsea Manning volta à prisão após nova recusa a depoimento no caso Assange

Por Rafael Arbulu | 17 de Maio de 2019 às 11h57
(Foto: ERIC BARADAT/AFP/Getty Images)
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Conforme ela própria já esperava, a ativista e ex-soldado americana Chelsea Manning foi novamente presa após recusar-se a depor sobre o caso do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, preso em abril deste ano. Ambos se conheceram quando Manning vazou ao site centenas de milhares de documentos pertinentes a campanhas militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.

“É claro que estamos decepcionados com o resultado da audiência de hoje, mas eu acredito que esta será tão coercitiva quanto a sanção imposta anteriormente — ou seja, nem um pouco”, disse a advogada de Manning, Moira Meltzer-Cohen. Chelsea foi originalmente detida em março de 2019, mas acabou solta após a intimação enviada à ela em janeiro ter vencido seu prazo. Na nova prisão, porém, a intimação evidente prevalecerá por aproximados 18 meses.

Na última semana, em seus últimos dias de soltura, Manning divulgou um vídeo na internet declarando novamente o seu posicionamento e oferecendo algumas atualizações sobre o seu caso. Sem intenção de mudar a sua recusa, Manning explica que suas ações têm fundamento em princípios pessoais.

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Além da prisão, o juiz Anthony Trenga também estipulou uma multa diária de US$ 500 por cada dia em que Manning se recusar a cooperar com as autoridades, com cobrança iniciando daqui 30 dias. Em 60 dias, caso a situação não mude, essa multa aumentará para US$ 1 mil diários. Antes de seu breve período em liberdade, Manning passou dois meses sob custódia, sendo que parte desse tempo se viu presa em confinamento solitário.

“Júris populares e processos desse tipo são uma ameaça cada vez maior à imprensa e funcionam apenas para minar a integridade do sistema de acordo com as leis do próprio governo”, disse a advogada Meltzer-Cohen.

O que um tem a ver com o outro?

As histórias de Chelsea Manning e Julian Assange se entrelaçam entre 2012 e 2013, quando o fundador do Wikileaks teria, segundo a promotoria das autoridades britânica e americana, auxiliado a então soldado do Exército dos Estados Unidos a invadir um computador que continha documentos sigilosos sobre operações militares dos EUA no Oriente Médio — em especial, no Iraque. Foram mais de 750 mil documentações que incluíam papéis oficiais com timbre do governo, fotos e até mesmo um vídeo de um bombardeio de uma vila nos arredores de Bagdá, onde vários inocentes acabaram morrendo, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters. O vídeo foi intitulado “Assassinato Colateral” e foi repetido por diversos veículos jornalísticos do mundo.

Manning foi condenada na maioria das acusações levadas à ela, mas teve sua pena comutada ao final do governo do ex-presidente Barack Obama. Embora isso não seja equivalente ao perdão presidencial, a comutação da pena permitiu que ela ficasse em liberdade, com certas restrições.

Antes de ser presa, Chelsea Manning fez transmissões ao vivo de partidas em jogos como Apex Legends e Red Dead Redemption 2 em seu perfil no Twitch.

Fonte: Techcrunch

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