Camarões bloqueia acesso a redes sociais e mensageiros por mais de 150 dias

Por Redação | 27 de Novembro de 2017 às 16h35

O Brasil vira um caos quando a Justiça determina o bloqueio do Whatsapp por algumas horas. Os usuários ficam atordoados, memes são criados e o assunto domina as redes sociais disponíveis. Agora, imagine ficar 150 dias sem acesso a qualquer rede social ou app de mensagens. É o que a população de Camarões vem enfrentando em 2017.

As regiões anglófonas do país africano vivem, atualmente, um bloqueio de quase dois meses, o segundo maior no ano — o primeiro durou 93 dias, de janeiro a abril. Somadas, as restrições já dão quase meio ano sem acesso aos canais de comunicação.

Tensão política

A proibição vem aumentando a tensão presente no país. O governo camaronês quer coibir as manifestações contrárias, motivadas por questões políticas e econômicas que estariam discriminando as regiões noroeste e sudoeste de Camarões, majoritariamente anglófonas, ainda que muitos falem o francês também.

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A tensão cresceu em outubro, em um protesto contra o domínio do governo de língua francesa. Houve confronto com os serviços de segurança, e o Estado decidiu reduzir o acesso às redes sociais para tentar cortar a mobilização on-line dos ativistas.

Com o bloqueio, os usuários só conseguem acessar as redes via VPN. Somente dessa forma eles conseguem se comunicar com familiares, que querem ter notícias sobre os protestos.

O governo do presidente Paul Biya classificou os ativistas políticos e sociais como membros de uma "nova forma de terrorismo".

Monopólio da infraestrutura

O bloqueio é facilitado porque o governo detém o monopólio da infraestrutura da internet. A empresa nacional de telecomunicações do país opera o backbone de fibra ótica que fornece internet. Além de facilitar o bloqueio, a companhia pressiona os operadores a fazerem o mesmo. O bloqueio já teria causado prejuízos de mais de US$ 3 milhões.

Mas essa não é uma questão restrita a Camarões. Outros países africanos vivem essa rotina de proibição de acesso a redes sociais, principalmente em períodos próximos a eleições. Em 2016, 11 países ficaram sem internet, entre eles Uganda, Argélia e Etiópia.

Fonte: Quartz

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