Autoridades suecas acusam Equador de dificultar acesso a Assange

Por Redação | 05.08.2015 às 15:09

Julian Assange voltou a estar envolvido em polêmica e, agora, está no epicentro de mais um desconforto internacional. As autoridades de Estocolmo, na Suécia, criticaram publicamente a posição do Equador em defender o fundador do WikiLeaks, dificultando o acesso de investigadores a ele. Para a polícia, a embaixada do país trabalha com o tempo, para que uma das acusações de abuso sexual que pesam sobre o delator prescreva.

Na realidade, os promotores da Suécia não têm esperança de que o caso seja resolvido a tempo de manter o processo em vigor. Assange é acusado de estuprar duas mulheres em 2010, em um processo que, para muitos, é uma armação do governo americano para trazer o delator de volta ao país, de onde ele poderia ser extraditado para os EUA para responder sobre o vazamento de centenas de milhares de documentos por meio do WikiLeaks. Por causa disso, também, ele permanece na embaixada do Equador, onde recebeu asilo.

Para que o processo ande, a polícia sueca precisa colher o depoimento de Assange e, na sequência, compor o caso. É justamente a primeira etapa que está sendo dificultada pelo governo sul-americano. Para Claes Borgstrom, advogado de uma das vítimas do caso, Quito não está tomando nenhuma atitude para facilitar o acesso das autoridades ao delator e não existe expectativa que tudo mude ainda neste mês, quando ocorre a prescrição das acusações de abuso sexual.

Apesar disso, afirmou o representante, toda a ação deve continuar, já que o crime de estupro tem um prazo muito maior para prescrição. Como o processo foi iniciado em 2010, as leis suecas permitem que o inquérito siga adiante em uma acusação formal por um prazo de até dez anos.

Em resposta, os advogados de Assange negaram que o governo equatoriano esteja dificultando o acesso das autoridades. Pelo contrário, ele afirma que o pedido para interrogatório está sendo processado de acordo com as vias normais da embaixada, mas que a ordem chegou tarde demais para que pudesse ser atendida a tempo. Na declaração, até mesmo o presidente Rafael Correa foi citado como um dos que “mais querem que o interrogatório aconteça” e que a justiça siga seu curso.

Oficialmente, Assange nega as acusações de que estuprou ou abusou das duas mulheres e disse, anteriormente, que todos os encontros sexuais que teve com elas foram totalmente consensuais. Segundo os advogados, o fundador do WikiLeaks não tem dúvida alguma de sua inocência e deseja, ele próprio, ser interrogado e se ver livre de qualquer processo.

O ministro das relações exteriores do Equador, Ricardo Patino, também entrou na dança, afirmando que as autoridades da Suécia não podem esperar que o país abra as portas de sua embaixada “a seu bel prazer”. Ele defendeu a posição do país ao abrigar Assange e disse que passaram-se anos até que a polícia tomasse alguma atitude, portanto, agora, não podem exigir que os processos internos do país se movimentem mais rapidamente que o normal. Ele refutou as acusações de que os envolvidos estariam dificultando o acesso de forma a garantir a prescrição do caso.

Recluso

Julian Assange recebeu asilo político na embaixada do Equador em Londres no mês de junho de 2012, como forma de escapar de uma possível extradição para os Estados Unidos. Ele mora em um antigo escritório que acabou convertido em apartamento, de onde não pode sair, caso contrário, estaria deixando o solo soberano do país latino-americano.

O caso tem sido alvo de muita polêmica tanto entre os defensores de Assange quanto junto aos opositores. A defesa do delator causou tensão entre as embaixadas do Equador e os ministérios das relações exteriores do Reino Unido e dos Estados Unidos. Do outro lado, estão as críticas em relação à presença de policiais ao redor da embaixada, com supostas ordens de prender Assange caso ele saia de lá, e as teorias da conspiração de que o caso de assédio sexual, por exemplo, seria uma artimanha para capturá-lo.

Em 2014, Assange afirmou que sua saúde estava debilitada e que deixaria o asilo em breve. Recentemente, surgiram relatos de que ele havia pedido proteção do governo francês, uma solicitação que não foi aceita pelo presidente François Hollande e que, mais tarde, foi negada publicamente pelo delator.

Fontes: Business Insider