Atiradora que invadiu prédio do YouTube nutria ódio pela empresa, diz família

Por Felipe Demartini | 04 de Abril de 2018 às 10h30
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A mulher que abriu fogo dentro dos escritórios do YouTube, no final da tarde desta terça-feira (03), estaria furiosa com a empresa após perder a monetização de seu canal. De acordo com a família, a atiradora identificada como Nasim Najafi Aghdam acusava a plataforma de impedir seu canal de crescer, o filtrando em buscas relacionadas, e nutria um ódio contra a companhia que teria motivado suas ações.

A atiradora, que de acordo com as autoridades estaria na faixa dos 30 anos de idade, invadiu um refeitório do YouTube a partir de um estacionamento adjacente. Ao entrar atirando com uma pistola, ela atingiu três pessoas antes de voltar a arma contra si mesma. No total, ela teria efetuado 15 disparos dentro do prédio da companhia.

Aghdam gerenciava diferentes canais no Youtube, nos quais falava sobre cultura, veganismo, religião e questões culturais, além de exibir trabalhos artísticos. Em um site relacionado a seus trabalhos, ela afirma ter morado no Irã e trabalhado em programas de televisão por lá. Além disso, alega ter sido a responsável pelo primeiro comercial vegano a ser exibido publicamente no país, em abril de 2010.

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Atiradora que invadiu prédio do YouTube "odiava" a empresa, segundo familiares (Imagem: Arquivo pessoal)

A página também exibe as motivações pelas quais, agora, ela teria invadido o prédio do YouTube. Em texto publicado, ela afirma que a Google estaria filtrando seus canais em buscas relevantes como forma de desencorajar sua produção de vídeos sobre crueldade animal, saúde e ciência. Exibindo métricas próprias e comparando números, ela dizia que não existe oportunidade igual de crescimento para os criadores na plataforma, com o crescimento sendo possível somente para os canais “aprovados” pelo sistema.

As mudanças no sistema de monetização, aplicadas no começo deste ano, também teriam atingido alguns dos canais de Aghdam, amplificando ainda mais a animosidade que ela nutria pela empresa. Segundo o pai da atiradora, Ismail Aghdam, ela “odiava” a companhia e a acusava diretamente de não a pagar por suas produções, no que, segundo ele, motivou o ataque realizado nesta terça.

De acordo com ele, a filha estava incomunicável desde o final de semana. Ela não atendia ligações, o que o motivou a registrar seu desaparecimento na segunda-feira (02). Na madrugada seguinte, a polícia a teria localizado dormindo em um carro, dentro de um estacionamento na cidade de Mountain View, a cerca de 40 quilômetros de San Bruno, onde fica a sede do YouTube.

Vestindo camiseta preta e com um lenço cobrindo o rosto, Aghdam entrou atirando aleatoriamente no refeitório pouco após o horário de almoço. Publicações no Twitter feitas por funcionários forneceram as primeiras informações sobre o caso, com os relatos envolvendo colaboradores se trancando em salas de reunião e ouvindo disparos à distância.

O alarme foi disparado, o que motivou a evacuação do local e muitos funcionários a acreditarem se tratar de um treinamento. Foi somente ao encontrar a polícia, que chegou ao local dois minutos após o início do tiroteio, que muitos se deram conta do que estava acontecendo. Outras testemunhas relatam terem visto manchas de sangue nas escadarias e paredes enquanto deixavam o prédio.

Inicialmente, rumores apontavam a motivação do tiroteio como uma disputa doméstica entre Aghdam e um suposto ex-namorado. Horas depois do incidente, porém, a polícia de San Bruno divulgou as primeiras informações sobre o caso e confirmou a única morte decorrente do incidente. A atiradora teria se suicidado, não antes de atingir três pessoas, que foram levadas a hospitais da região. Duas se encontram em estado grave.

O YouTube retirou do ar os canais pertencentes a Aghdam; o Facebook tomou atitude semelhante e também bloqueou sua conta não apenas na rede social, mas também no Instagram. Pelo Twitter, o CEO da Google, Sundar Pichai, disse não ter palavras para descrever a tragédia ocorrida nos escritórios do YouTube, demonstrando apoio aos funcionários e também à comunidade de criadores.

Também pela rede social, o presidente americano Donald Trump enviou condolências a todos os afetados pelo tiroteio. Além disso, agradeceu aos policiais e funcionários dos serviços de emergência pelo pronto atendimento aos feridos e presença rápida no local do crime.

Fonte: The Guardian, The New York Times

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