App do YouTube para crianças estaria sugerindo vídeos com teorias da conspiração

Por Felipe Demartini | 19 de Março de 2018 às 12h00
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O YouTube Kids, versão do aplicativo do site de vídeos voltada para filtragem de conteúdo e exibição apenas de cenas educativas e infantis, está mais uma vez sendo citada como responsável por levar conteúdo indevido aos pequenos. Desta vez estamos falando de informações e imagens relacionadas a teorias da conspiração e outros temas políticos.

Tudo, novamente, acontece devido a um funcionamento irregular dos algoritmos de pesquisa e indicação de conteúdo. Conforme informações publicadas na imprensa internacional, bastaria uma busca por temas específicos para que as crianças chegassem a vlogs sobre a teoria de que a Terra é plana, contestando o pouso do homem na Lua ou denunciando o fato de grandes governos, incluindo o dos Estados Unidos, serem controlados por alienígenas.

Uma pesquisa pela palavra “UFO”, por exemplo, exibiu resultados relacionados a brinquedos espaciais ou cenas de desenho animado. Entretanto, em meio às sugestões também estavam vídeos do teórico David Icke, reconhecido por suas ideias conspiracionistas, que versam sobre as influências extraterrestres na evolução da humanidade e sobre o controle destes seres sobre os rumos atuais do nosso mundo.

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Entre as indicações estava uma longa palestra de Icke na qual ele fala não apenas sobre alienígenas, mas também sobre uma conspiração envolvendo o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, em 1963, sobre sacrifícios humanos realizados pelos Maçons e os indícios de que uma nova espécie de humanos, com traços de DNA alienígena, já existe no planeta.

Os resultados relacionados às teorias da conspiração também aparecem nos vídeos relacionados, facilitando a descoberta deles pelas crianças e também a audiência contínua desse tipo de conteúdo na medida em que elas pulam de um vídeo para outro. Os conteúdos criados por Icke são os que aparecem em maior quantidade, mas outros canais especializados em temas desse tipo também surgem entre os resultados relacionados a “corrida espacial” ou “pouso na Lua”.

Mesmo após correção, conteúdo impróprio ainda aparece entre resultados do YouTube Kids (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Além disso, uma das principais características do Youtube Kids — a filtragem de buscas pouco adequadas para o público infantil — não parece se aplicar também às teorias da conspiração. Enquanto pesquisas como “sexo” ou “sangue” não exibem resultados, não há problema algum em encontrar vídeos relacionados a temas como “Terra plana” ou “nibiru”, que sempre trazem supostos documentários ou palestras sobre os temas.

Em comunicado, a Google se prontificou a continuar aprimorando os motores de busca do YouTube Kids, que afirma terem sido “treinados por humanos”. Entretanto, a companhia aponta que, como todo sistema automatizado, seus algoritmos também não são perfeitos e que, em alguns momentos, podem acabar deixando escapar conteúdos inadequados sobre os quais toma atitude assim que descobre o problema ou é informada sobre ele.

Neste caso específico, a empresa disse ter bloqueado o canal de David Icke e de outros conspiracionistas reconhecidos, cujos vídeos não aparecerão mais no YouTube Kids, não importando o termo buscado. O mesmo vale para alguns dos assuntos citados na reportagem.

Entretanto, mesmo após as mudanças, ainda é possível encontrar resultados indevidos. Em uma breve pesquisa sobre “aliens” feita pelo Canaltech, por exemplo, foi possível localizar conteúdos conspiratórios entre os desenhos animados e unboxings de brinquedos relacionados a extraterrestres, além de testes de maquiagem ou making ofs da saga cinematográfica de mesmo nome, cujo conteúdo violento passa longe das premissas do YouTube Kids.

Apesar de suas características de filtragem e indicação, a Google deixa claro que a utilização do YouTube Kids deve contar com a supervisão dos pais. O aplicativo, disponível para iOS e Android, possui opções que permitem desativar as buscas ou acompanhar os vídeos assistidos a partir de uma outra conta, sob o controle dos pais, além de contar com recursos que limitam o tempo de visualização ou permitem o banimento manual de certos termos.

Fonte: Business Insider

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