Após polêmicas, CEO do site de traições Ashley Madison deixa o cargo

Por Redação | 28.08.2015 às 12:56
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Pouco mais de uma semana após hackers divulgarem milhares de dados dos usuários do Ashley Madison, Noel Biderman, CEO da Avid Life Media, grupo que controla o site de relacionamentos extraconjugais, anunciou que está deixando o cargo na empresa.

Em nota no blog oficial, a companhia disse que a saída de seu até então presidente-executivo "permite que a entidade continue a promover o apoio dos usuários e funcionários". Ainda não foi decidido quem ocupará a liderança da empresa, que até lá será comandada pela equipe sênior de gerência.

A saída de Biderman do cargo de CEO chega em meio ao turbilhão de polêmicas envolvendo o Ashley Madison, uma plataforma voltada para traições que tem aproximadamente 37 milhões de usuários.

Tudo começou no final de julho, quando hackers de um grupo chamado Impact Team afirmaram ter invadido o serviço e ameaçaram publicar os dados dos usuários cadastrados. Para não divulgar as informações, os invasores fizeram algumas exigências, entre elas o fechamento do Ashley Madison e de um outro site que faz parte do Avid Life Media, o Established Men, que permite marcar encontros sexuais entre mulheres jovens e homens bem-sucedidos.

Ainda no final do mês passado, a empresa confirmou o ataque e afirmou ter melhorado a segurança do serviço, mas não desativou nenhuma plataforma. Por conta disso, os hackers divulgaram o equivalente a 30 GB de dados dos milhões de internautas que acessam o site. Segundo os criminosos, o grupo tem em mãos um total de 300 GB de conteúdo do site, incluindo fotos íntimas, documentos internos de funcionários, mensagens privadas e e-mails.

As investigações continuam no Canadá, e a companhia chegou a anunciar uma recompensa de US$ 500 mil para qualquer pessoa que tenha informações que levem a polícia a identificar os responsáveis.

Os hackers justificaram os ataques ao Ashley Madison por dois motivos. O primeiro diz respeito a uma suposta cobrança de US$ 19 para que o usuário apague todos os seus dados dos servidores da empresa. Só que essa remoção não acontecia de fato, e as informações do internauta continuavam em posse da companhia. Outro ponto defendido pelo grupo de invasores é que vários perfis femininos na plataforma são falsos e feitos especificamente para enganar os homens, passando a impressão de que muitas mulheres estão cadastradas no site.

Tal afirmação fez com que alguns sites internacionais vasculhassem os dados divulgados pelo Impact Team para verificar se essas contas eram ou não verdadeiras. Nesta semana, o Gizmodo publicou um levantamento que aponta o seguinte: entre 90% e 95% de todos os perfis do Ashley Madison são de homens, e o restante de mulheres. No entanto, menos de 1% dessas usuárias realmente acessam o serviço, sendo que grande parte dos perfis de mulheres seria falsa, feita especificamente para enganar os homens.

A empresa que administra o site nega essas acusações. Mas nesta sexta-feira (28), um novo artigo identificou que a versão brasileira dos Termos de Uso da página mostram que a companhia cria contas falsas com o objetivo de "entreter" usuários que não pagam por uma assinatura mensal.

Noel Biderman

No comunicado sobre a saída de Biderman, a Avid Life Media também deu um breve parecer sobre os ataques hackers das últimas semanas. "Estamos comprometidos com nossa base de clientes. Também estamos nos ajudando ao ataque recente por parte de criminosos ao nosso negócio e à vida privada dos membros [do Ashley Madison]. Estamos cooperando ativamente com autoridades internacionais como um esforço para identificar os responsáveis pelo roubo de informações corporativas e dos usuários e levá-los à justiça", destacou.

Fonte: Avid Life Media