Airbnb teme que uso do serviço para encontros sexuais gere crise de confiança

Por Redação | 24 de Novembro de 2015 às 14h35

Para quem ainda não sabe, o Airbnb serve para que alguém alugue uma casa ou então um quarto dentro de seu imóvel para outras pessoas durante um curto período de tempo. Assim, é muito comum que usuários da plataforma recebam pessoas em sua casa ou se hospedem dentro da casa de desconhecidos.

Somando o parágrafo acima com o título desta notícia, você já deve estar imaginando quais as possibilidades que se abrem — e, sim: alguns usuários da plataforma a utilizam como uma espécie de Tinder com hospedagem. Aparentemente, nenhum problema entre pessoas adultas fazendo sexo consensual, mas a empresa responsável pelo Airbnb não apoia este tipo de prática.

A principal questão aqui é a segurança, pois, se algumas pessoas se envolvem com seus hóspedes ou anfitriões e tudo sai bem para todos, ótimo. Entretanto, os casos de violência que têm o Airbnb como plano de fundo preocupam e a companhia teme que isso gere uma crise de confiança em relação à plataforma.

Nem tudo são flores

Os relatos de usuários do Airbnb que tiveram relações sexuais consensuais com seus hóspedes/anfitriões não são poucos, a ponto de haver discussões sobre o tema em plataformas como o Reddit ou o Quora (aqui e aqui). Além disso, uma reportagem do Business Insider conseguiu inúmeros depoimentos de homens e mulheres que, além dos cômodos da sua casa, compartilharam também bons momentos com os visitantes.

Entretanto, os casos em que pessoas adultas exploram livremente a sua sexualidade, sem traumas ou violência, não são os únicos. Relatos de estupros ou abusos por parte dos anfitriões, como o caso do homem de 34 anos condenado a 12 anos de prisão em Barcelona por violentar duas hóspedes que chegaram até a sua residência via Airbnb, ou ainda o de um homem violentado em Madrid, entre outros, também chamam a atenção.

Em outro caso, a italiana Susy Anese visitava Paris quando teve que, literalmente, fugir de seu anfitrião. “O cara estava estanho desde o começo, me ofereceu a cama dele e foi dormir no sofá”, conta. “Ele ficou tentando me abraçar e me beijar, dizendo que não me deixaria ir embora. Ele se deitou comigo no sábado enquanto eu tentava dormir. Fiquei absurdamente amedrontada, mas não queria dizer nada porque temia pela reação dele”, relata.

“E o pior foi pelo domingo de manhã, quando eu acordei e ele estava me encarando”, conta a italiana, que aproveitou um descuido do anfitrião, pegou suas coisas e foi embora na manhã do mesmo dia. Após tomar ciência do caso pela reportagem do Business Insider, o Airbnb ofereceu reembolso à cliente, mas informou que a falta de evidências prejudica a investigação. “Em último caso, é a sua palavra contra a dele”, informava o e-mail enviado pela companhia a Anese.

Situações como essas, em que a falta de provas acaba por impedir uma investigação mais bem elaborada, criam a necessidade de outras medidas por parte de serviços como o Airbnb.

Uma possível crise de confiança

Temendo que as pessoas não se sintam mais seguras ao alugar cômodos pelo Airbnb, a companhia trabalha para incrementar a segurança dos clientes.

“Nós tentamos garantir que as pessoas se sintam seguras ao compartilhar seu espaço, mas que hóspedes também se sintam seguros indo até lá”, informou a gerente de políticas públicas do Airbnb Sofia Gkiosou. “O nível de engajamento que as duas pessoas querem ter diz respeito a elas, obviamente. Nós ouvimos a comunidade o tempo todo, então, se há melhoramentos necessários no produto, em como funcionam os relacionamentos ou no nível de confiança, temos que olhar para isso”.

Em suma, o Airbnb não espera que seus usuários deixem de se relacionar sexualmente com pessoas que conhecem pela plataforma, mas também não deseja que essa seja a tônica do negócio a fim de ele não ser visto como facilitador em casos de violência sexual.

Mais segurança na economia compartilhada

A lógica de economia compartilhada, dentro da qual o Airbnb está inserido ainda demanda por mais formas de garantir a confiança entre as pessoas que usam a plataforma para negociar. Debbie Wosskow, fundadora do LoveHomeSwap e representante do Sharink Economy UK, grupo de economia compartilhada do qual o Airbnb faz parte, defende o uso de “selo de confiança”.

Assim, as pessoas poderiam ganhar marcas que a identificariam como confiáveis com base nas avaliações feitas por outros usuários dos serviços. “Este selo de confiança vai existir de um jeito que possa ser controlado pelos operadores na economia compartilhada”, comenta. “Ele vai permitir que as companhias do setor exibam algum tipo de insígnia universal que diz que esta plataforma é responsável e confiável”.

Fonte: Business Insider

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