A web está prestes a se livrar do Flash — vamos celebrar

Por Douglas Ciriaco | 29 de Janeiro de 2016 às 10h25
photo_camera Reprodução/Tony Downey

Flash. Quando não estamos falando do herói da DC Comics que se move mais rápido do que a luz, é bem provável que esta palavra lhe cause alguns arrepios. Desenvolvido por Jonathan Gay, cofundador da FutureWave Software, originalmente ele recebeu o nome de FutureSplash Animator e estreou na web ainda em 1995, quando a internet era menos do que um arremedo do que se tornou hoje em dia.

Duas décadas depois, o sonho acabou — ou, ao menos, está em vias de acabar. Apesar de sua evolução, de ter sido vendido para a Macromedia, que o rebatizou de Flash antes de ser comprada pela Adobe, a sua estrutura mais causa problemas do que ajuda programadores, web designers e pessoas que utilizam a internet. Os esforços para tornar o Flash relevante novamente não funcionaram e ele está morrendo aos poucos.

Muita gente não duvida mais que isso vai acontecer, mas é provável que aconteça ainda antes do que era esperado. A Encoding divulgou recentemente o relatório Global Media Format Report 2016, no qual destaca a queda brusca do uso do Flash em várias frentes — como plugin de vídeo, o Flash começou o ano com uma fatia de mercado de 21% e terminou 2015 com apenas 6%. Segundo o relatório, o Flash se mantém basicamente em banners de propaganda e navegadores antigos, mas deve ser totalmente extinto (enquanto plugin) até o final de 2017.

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Mas quem é o grande responsável por essa queda? Seriam os próprios erros do Flash ou o surgimento de tecnologias abertas e melhores, como o HTML5? A aposta mais coerente é que a junção das duas coisas selou o destino do Flash e, agora, é só questão de tempo para que ele tome o rumo de outra marca bastante conhecida da web, o Internet Explorer, e vá para o limbo do ciberespaço.

Do luxo ao lixo

Jonathan Gay foi um visionário, não há como negar. Quando a web ainda andava a passos lentos e tímidos, ele projetou uma ferramenta capaz de oferecer animações vetoriais para sites de internet, inicialmente mirando a concorrência da tecnologia Macromedia Shockwave. Após ser utilizado em páginas de companhias como Microsoft, Fox e Disney, ele chamou a atenção do mercado e a FutureSplash, sua desenvolvedora, foi adquirida pela Macromedia.

Flash vs HTML 5

HTML5 colaborou para acelerar a derrocada do Flash. (Foto: Reprodução/Tony Downey)

Estávamos em novembro de 1996 quando isso aconteceu e então a ferramenta foi renomeada, passando a atender pela alcunha de Macromedia Flash 1.0. Durante quase uma década, a Macromedia lapidou a ferramenta, ampliou suas funcionalidades e passou a oferecê-la não como uma ferramenta gráfica, mas como uma plataforma para aplicações da web.

Por fim, a última vez em que o Flash mudou de mãos foi em 2005, quando a Macromedia foi adquirida pela Adobe. Com suas capacidades incrementadas, ele foi atualizado, ganhou novas funções e ainda surfou na crista da onda por mais alguns anos, até começar a se tornar obsoleto. Talvez o ponto derradeiro para destacar a falência do Flash tenha sido, de fato, o surgimento do HTML5, uma tecnologia aberta e apontada por muitos como mais eficaz.

Por que devemos celebrar?

Você pode estar se perguntando porque o fim do Flash deve ser celebrado. Bem, se você não consegue buscar em sua memória problemas que enfrentou com a ferramenta ao usar o YouTube, ver uma animação ou mesmo acessar uma página feita em Flash (aliás, o fim dessas páginas é outro motivo de comemoração), vamos contar algumas coisas.

O primeiro ponto é a lentidão no carregamento de uma página causada por objetos em Flash — isso quando ele não trava e você precisa recarregar a página. Vale lembrar ainda que o Flash tem sido a porta de entrada de 80% dos ataques de hackers, de acordo com estudo da Recorded Future. Em 2015, a ferramenta sofreu com inúmeras falhas de segurança (relembre aqui alguns casos), expondo milhões de pessoas em todo o mundo.

Juntos, estes dois motivos já são motivos mais do que suficientes para que os navegadores venham bloqueando o plugin do Flash. Além disso, o Flash é um sistema proprietário e fechado, o que prejudica a sua adaptação por parte dos desenvolvedores para os mais variados fins. Ter uma web aberta é garantia de segurança, privacidade e por aí vai, então, temos aqui um motivo claro.

Flash morto

Já morreu? (Foto: Reprodução/Usability Geek)

As principais companhias do mercado de tecnologia foram abandonando o Flash aos poucos. Em 2010, Steve Jobs fez uma publicação no site da Apple defendendo que o HTML5 seria o futuro e que o plugin da Adobe deveria ser deixado de lado — ele não é suportado pelo iOS. Chrome e Firefox deram um jeito de limitar a funcionalidade do plugin e, em janeiro de 2015, o YouTube adotou o player em HTML5 como padrão, abandonando o Flash de vez.

Pensando em termos de negócios, o Flash também apresenta limitações em relação ao rastreamento de seu conteúdo por motores de busca, um terror para os profissionais de SEO. Junte a isso os problemas de compatibilidade do plugin com as novas plataformas móveis e, pronto, está completa a receita do fracasso.

Em estado terminal

A Apple abandonou o Flash há algum tempo, outras empresas do ramo vêm fazendo isso ao longo dos últimos anos e, bem, a experiência da maioria das pessoas com o plugin que roda conteúdo dentro de navegadores não é das melhores. O reflexo de tudo isso, e do surgimento de alternativas mais competentes, leva o plugin da Adobe a contar os seus últimos dias.

Até mesmo a Adobe se movimenta no sentido de separar as coisas a fim de se livrar da carga negativa da marca "Flash". A companhia anunciou em dezembro que o seu software de animação (que também se chama Flash) vai mudar de nome. O fim do Flash enquanto plugin e tecnologia de reprodução de conteúdo na web inevitavelmente vai chegar mais cedo do que se esperava.

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