A verdade sobre a Apollo 10 e a música alienígena do lado escuro da Lua

Por Carlos Dias Ferreira | 23 de Fevereiro de 2016 às 13h45
Wired

Entre os assuntos da moda internet afora, certamente se encontra certa gravação recentemente liberada pela NASA. Nos registros do interior da cabine da Apollo 10 – missão que precedeu o famoso pouso lunar de 1969 –, é possível ouvir o que foi denominado pelos membros da tripulação como “assobios do espaço sideral”, justamente no momento em que o módulo perdia totalmente o contato com o Houston, transitando pelo lado escuro da Lua.

Posteriormente, Tom Stafford, Eugene Cernan e John Young decidiram que não falariam mais nada a respeito, e o fenômeno permaneceu rotulado como “confidencial” entre os arquivos da agência espacial. Naturalmente, esse foi o ingrediente decisivo para que o fato alimentasse as mentes férteis dos teóricos da conspiração – para os quais a NASA já ocultava indícios de vida alienígena.

Dessa forma, quando a gravação foi finalmente compartilhada online, a coisa toda reacendeu, ganhando vídeos embalados por músicas apoteóticas e relatos em tom de confidência. Mas, afinal, o que Stafford, Cernan e Young realmente ouviram durante o isolamento lunar? Vale olhar isso mais de perto.

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apollo 10

Nem tão “confidencial” assim

As gravações que têm ganhado a internet recentemente não são as tradicionais comunicações entre a tripulação e a base em Houston. Na verdade, trata-se de um registro das conversas entre os próprios astronautas enquanto passavam pelo lado escuro da Lua – período em que não é possível a comunicação por ondas de rádio.

Entretanto, a despeito do que dizem teóricos da conspiração por aí afora, essa mesma gravação se encontra acessível ao público desde 1974. Mais recentemente, em 2008, a NASA também disponibilizou uma transcrição completa dos áudios da cabine em arquivo PDF – de maneira que apenas o compartilhamento do arquivo de áudio no site oficial da agência é realmente algo “novo” (2012) em toda essa dança conspiracionista.

Assobio sideral e suco de uva

O que tem sido interpretado algures como melodias extraterrestres foi, de fato, encarado à época como alto não muito fora do comum. Embora os termos “Assobios do espaço sideral” e também a frase de John W. Young – “Ninguém vai acreditar em nós” – tenham contribuído para a mística das gravações da Apollo 10 ao longo das décadas, foi mesmo a veiculação recente (e algo tendenciosa) de certo portal de ciência que deu novamente ares de enigma ao fato.

Na verdade, o trio de astronautas passa apenas alguns poucos momentos comentando sobre o que parece ser interferência de rádio para logo em seguida partir para assuntos mais cotidianos. O comandante Thomas P. Stafford, de fato, deixa o som enigmático de lado ao dizer algo bastante inesperado para um astronauta que teria recém entrado em contato com indícios de vida extraterrestre: “Você provavelmente vai ficar com sede em breve, Gene-O”.

apollo 10

Stafford se referia a Eugene Cernan, que pesquisava a superfície do satélite em um módulo isolado. “Acho que vou preparar um suco de uva para nós”, conclui Stafford em seguida.

“Nós não levamos o incidente a sério”

Conforme o próprio Cernan comentou durante o último domingo (21) no Tumblr da NASA, a tripulação da Apollo 10 realmente não acreditou que tivesse entrado em contato com algo extraordinário. “Pelo que eu me lembre, o incidente não me empolgou o suficiente para que o levasse a sério”, disse o ex-astronauta.

Ele continua: “Se tivesse nos ocorrido que pudesse ter sido qualquer outra coisa, nós certamente comunicaríamos a todos após o voo. Nós nem chegamos a pensar naquilo uma segunda vez”.

eugene cernan

Ademais, as gravações trazem apenas um longo e tedioso registro de um dia típico de trabalho, cujo fato mais escandaloso possivelmente seja o desgosto dos astronautas em utilizar o Velcro – que, a propósito, não foi inventado pela NASA, como prega o senso comum. Isso e algumas reclamações leves quanto à falta de semelhança entre os cenários encarados nos simuladores de voo e as situações reais a bordo.

De qualquer forma, um belo registro sobre o cotidiano dos voos espaciais – mesmo que sem homenzinhos verdes e composições extraterrenas. Seja como for, pelo menos nós sempre teremos o Caso Roswell.

Fonte: Tumblr

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