Em palestra no Rio, Tim Berners-Lee elogia Marco Civil da Internet brasileiro

Por Redação | 17.05.2013 às 12:21 - atualizado em 17.05.2013 às 14:08

Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web, elogiou publicamente o projeto de lei brasileiro para a regulamentação da internet, conhecido como Marco Civil, durante sua participação na WWW 2013 (World Wide Web Conference), que termina nesta sexta-feira (17) na cidade do Rio de Janeiro. As informações são do jornal A Folha de S.Paulo.

"O Brasil está liderando o mundo com seu Marco Civil da Internet, então para mim é uma honra estar aqui neste momento histórico, apoiando quem está fazendo isso", disse Lee. O texto do Marco Civil prevê a neutralidade da rede, com pacotes de serviços e velocidades de conexão iguais para todos, privacidade do usuário e a liberdade de expressão na web.

Berners-Lee, que deu uma entrevista coletiva ao lado do deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), relator do projeto de lei, ressaltou que o Brasil se destaca nas discussões da neutralidade na internet, já que está tratando o assunto pelo ângulo correto, que é o dos direitos civis. "Acreditamos que o Marco Civil pode ser uma referência não só em termos de legislação da internet, mas de processo legislativo com participação popular", explicou Molon. "Hoje em dia, a internet precisa de uma lei para garantir que possa continuar sendo o que foi até aqui: aberta, democrática, descentralizada, livre de barreiras e propensa à inovação".

O projeto do Marco Civil foi colocado para a consulta pública e já conta com mais de 2.300 apoiadores, além de ter apoio do governo federal e de diversos setores industriais. Até o momento, a grande resistência enfrentada pelo projeto são das companhias de telecomunicações, principalmente, no que se refere à neutralidade da rede, impedindo assim a cobrança diferenciada com base em pacotes ou na velocidade de transmissão.

Além de elogiar o Comitê Gestor da Internet no Brasil, Tim Berners-Lee também instou que as empresas de comunicações apoiem o projeto. "O mundo depende da independência do jornalismo assim como da internet. É preciso explicar às pessoas por que isso é importante e pressionar o Congresso a votar, agindo na direção certa", concluiu.