'Snowden não pode deixar Moscou', diz o presidente do Equador

Por Redação | 01 de Julho de 2013 às 11h50

O presidente do Equador, Rafael Correa, declarou no último domingo (30) que o cônsul do país em Londres cometeu um "grave erro" ao emitir uma carta que garante passagem segura a Edward Snowden. Em relação ao pedido de asilo, Correa reafirmou que só poderá analisá-lo quando o ex-funcionário da agência de espionagem norte-americana chegar ao Equador ou em alguma embaixada do país. Essas declarações foram feitas pelo presidente durante uma entrevista à agência de notícias Associated Press (AP).

A situação de Snowden parece realmente complicada, uma vez que chegar a qualquer embaixada equatoriana parece uma missão praticamente impossível no momento. O jornalista continua preso por tempo indefinido no Aeroporto Internacional de Moscou, na Rússia, e, de acordo com Correa, ele está "sob o cuidado das autoridades russas".

"Esta é a decisão das autoridades russas. Ele não tem um passaporte. Eu não conheço as leis russas, eu não sei se ele pode deixar o aeroporto, mas eu entendo que ele não pode. Neste momento ele está sob os cuidados das autoridades russas. Se ele chegar a uma embaixada equatoriana, nós vamos analisar o seu pedido de asilo", disse Correa à AP.

Por outro lado, as autoridades russas negaram as alegações de que Snowden estava no país e sob seu controle. Eles dizem que, uma vez que ele não passou pela alfândega, permanece na zona de trânsito do aeroporto, que não é considerado oficialmente como território russo. Ou seja, eles alegam que Snowden está vivendo à la Tom Hanks no filme 'O Terminal'.

Tom Hanks O Terminal

Cena do filme 'O Terminal', onde o personagem de Tom Hanks se vê obrigado a morar na área de trânsito do aeroporto após ter sua entrada nos EUA negada e, também, não poder retornar ao seu país de origem (Imagem: Internet)

Durante sua entrevista, o presidente do Equador disse ainda que, apesar dos rumores, ele não fazia ideia de que Snowden pediria asilo ao seu país quando deixou Hong Kong e seguiu para Moscou na semana passada. Correa também apresentou uma mudança de atitude em relação aos Estados Unidos após receber um telefonema do vice-presidente do país, Joe Biden.

"Gostei muito da chamada", afirmou Correa, contrastando a ligação com as ameaças feitas por um grupo de senadores norte-americanos em relação à revogação de privilégios comerciais equatorianos. Ele disse que Biden o tratou com "grande cordialidade" e apresentou "uma visão diferente", algo que foi visto com bons olhos pelo presidente.

"Se [Snowden] realmente quebrou as leis norte-americanas, eu sou muito respeitoso com outros países e as suas leis e acredito que alguém que infringe a lei deve assumir suas responsabilidades. Mas nós também acreditamos nos direitos humanos", acrescentou Correa.

Nada disso é uma boa notícia para o responsável pela divulgação de documentos secretos que revelaram ao mundo o esquema de espionagem PRISM praticado pelas agências de inteligência dos Estados Unidos. Snowden deixou Hong Kong no dia 23 de junho e seguiu para Moscou, onde supostamente está vivendo desde então.

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