Schneider apresenta iniciativas para implementar cidades inteligentes no Brasil

Por Rafael Romer | 06 de Junho de 2013 às 14h37
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Considerada um dos próximos passos e principais desafios no avanço de regiões urbanas do globo, a implantação das chamadas "cidades inteligentes" já é uma realidade cada vez mais frequente em diversos países desenvolvidos. Dentre as cidades, Barcelona é um dos exemplos mais bem sucedidos, e a iniciativa lentamente começa a ganhar atenção aqui no Brasil. Tradicionalmente, são consideradas cidades inteligentes aquelas que integram novas tecnologias no dia-a-dia de seus cidadãos, gerando novos serviços, novos negócios e reduções de custos em sua manutenção.

"Na nossa visão, o desafio das cidades está na capacidade de atrair investimentos para que elas possam investir em sua infra-estrutura e em modelos de natureza tecnológica para dar um melhor retorno ao seu cidadão", explicou ao Canaltech o Diretor Comercial da Schneider Electric, Renato Meirelles, ligado às iniciativas para implantação de soluções para cidades inteligentes da empresa, durante o evento Xperience Efficiency, que teve início nesta terça-feira (5), em São Paulo.

Atualmente, a empresa de gestão de energia está envolvida em experiências de cidades inteligentes em mais de 230 regiões urbanas do mundo, e possui cerca de 30 soluções diferentes na área — todas apresentadas em uma simulação de cidade inteligente que pode ser encontrada no evento. De acordo com Meirelles, as tecnologias se dividem em cinco áreas diferentes, consideradas essenciais para manutenção e controle de cidades inteligentes: são iniciativas de energia elétrica, como distribuição flexível; de trânsito, como gerencialmento de tráfego em tempo real; de água, como gerenciamento de distribuição e detecção de vazamentos; de serviços públicos, como segurança; e de domicílios e edifícios. "Além de ter essas inteligências, você ter a integração destas informações é um diferencial absolutamente essencial", explica.

O diretor afirma que as iniciativas apresentadas pela empresa têm encontrado cada vez mais eco em conversas com membros do poder público no Brasil, que já se interessa mais pelo tema. Um dos fatores que tem colaborado no avanço destas iniciativas, além dos eventos que o país deve sediar nos próximos anos, é a própria "pressão" de problemas latentes, que tem forçado atitudes por parte dos governos municipais, estaduais e federal.

"Há uma necessidade que vem muito do problema da mobilidade, por exemplo, e isso está forçando o poder público a tomar algumas decisões", afirma Meirelles. "É difícil um governante 'tapar o Sol com a peneira' e não enxergar que nós temos um desafio pela frente", complementa.

As cidades hoje representam cerca de 2% da cobertura da Terra, consomem 75% da energia global e concentram cerca de 50% da população mundial. A expectativa é que, até 2050, 70% da população do mundo more em cidades. Para lidar com esses problemas, assim como aumentar a eficiência de sua infraestrutura e o interesse de pessoas e empresas na cidade, a tecnologia tem ganhado espaço neste cenário.

No Brasil, algumas iniciativas — principalmente do Governo Federal, como o PAC da mobilidade — têm colaborado para ampliar a adoção de novas soluções tecnológicas para ajudar na resolução de problemas urbanos. "A partir do instante em que você dá um passo importante na solução do problema da mobilidade, por exemplo, você carrega consigo o começo da solução de outras áreas que formam a 'Smartcity'", disse o executivo.

Em grandes centros urbanos, a adoção é ainda mais rápida. Em São Paulo, por exemplo, a Schneider está envolvida em dois centros de comando que são responsáveis pelo controle e gerenciamento em tempo real de 382 intersecções de trânsito da cidade. No Rio de Janeiro, Sistemas SCADA já são usados para melhorar a eficiência de distribuição de água, eletricidade e gás em toda a área metropolitana. Segundo Meirelles, as regiões Sul e Nordeste (principalmente os estados de Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Ceará) também se mostram cada vez mais interessadas na área.

Mas as iniciativas não ficam restritas a grandes cidades. Apelidada de Villa Smart, uma iniciativa da Schneider em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e com o governo trouxe eletricidade 24 horas para comunidades ribeirinhas do Rio Negro, que antes dispunham de apenas 4 horas por dia de energia. O projeto focou no uso da energia solar e foi ligado a um Smart Grid, que permite o monitoramento remoto do uso da energia nas comunidades antes isoladas.

Ainda assim, empresas esbarram em algumas dificuldades contra o poder público para avançar com implantações das tecnologias. Meirelles cita, por exemplo, a recente mudança de prefeituras no país como resultado das eleições do ano passado, que sempre colabora para a demora no avanço de projetos.

Além disso, o diretor afirma que ainda vê que diversas prefeituras lidam com problemas de caixa, que, mesmo com incentivos federais, impedem as implantações. "Precisamos, evidentemente, de um 'alinhamento dos astros', um modelo politicamente mais sustentável. Os municípios precisam apresentar seus projetos, mas têm que ter suporte dos governos do estado e federal", afirma.

Xperience Efficiency

Dedicada à discussão de novas tecnologias para enfrentar questões como a redução dos impactos do insumo de energia nos negócios e no meio ambiente, e tratando as iniciativas para cidades inteligentes, a primeira edição do evento Xperience Efficiency segue até esta quinta-feira (6), em São Paulo.

O evento é realizado simultaneamente em outras sete cidades de países que constituem polo no desenvolvimento de TI, como Estados Unidos, China, Rússia e Colômbia.

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