“Queda” da internet é questão de tempo, afirma filósofo norte-americano

Por Redação | 28 de Abril de 2014 às 10h39

O que você faria caso acordasse um dia e se visse completamente desconectado, sem internet ou barras de sinal no celular? Para o filósofo norte-americano Dan Dennett, um acontecimento global desse tipo é capaz de levar a humanidade ao caos total e é apenas uma questão de tempo para que isso aconteça em todo o mundo.

Dennett, porém, não quer soar alarmista. Muito pelo contrário. Em palestra durante o TED, Dennett afirma que sua ideia é mostrar que a dependência do mundo online está, cada vez mais, substituindo as congregações humanas presenciais. O filósofo diz que, caso uma queda desse tipo acontecesse hoje, os únicos preparados seriam os “malucos” que constroem bunkers sob suas casas e armazenam comida e armas em antecipação a um vindouro apocalipse. E pergunta: “realmente queremos que eles sejam a última esperança da humanidade?”

Como conta a reportagem do jornal O Globo, Dennett assume uma posição bastante crítica em relação à dependência da internet. Para ele, não se trata apenas de computadores e celulares, mas sim de todo um mundo conectado que pode desaparecer ao menor sinal de problemas. Televisões podem sair do ar e, com a informação deixando de circular, as pessoas podem ter medo de sair de casa pelo simples fato de não saberem exatamente em quem confiar.

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O filósofo considera irônico o fato de justamente o recurso responsável por tantas inovações tecnológicas dos últimos anos ser também o responsável por um possível, para não dizer provável, estado de caos na sociedade. E, ao contrário das mudanças benéficas realizadas até agora, esse retorno a um período desconectado pode ser bastante traumático, para dizer o mínimo.

Para Dennett, é necessário que a humanidade construa um “bote salva-vidas” para esse tipo de possibilidade. E esse recurso, para ele, é o restabelecimento de antigas congregações sociais como grupos de leitura, encontros paroquiais e diversas outras instâncias que reúnam pessoas. A ideia é que o cidadão saiba que pode confiar nas pessoas próximas a ele e que todos possam contar uns com os outros em casos emergenciais.

Apesar do tom negativo, o filósofo diz acreditar na prosperidade da humanidade, mesmo em casos extremos como o de um apagão global da internet. Ele afirma não ter dúvidas de que existam planos de contingência preparados para tal calamidade, por mais que tais soluções não recebam o mérito que deveriam. Apesar disso, ele faz um alerta: “há 20% de possibilidade de que eu esteja errado”.

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