Quase metade dos brasileiros não tem acesso à internet; muitos, por opção

Por Redação | 25.11.2013 às 17:51 - atualizado em 25.11.2013 às 18:55

De acordo com dados do IBGE, cerca de 50,9% dos brasileiros com idade superior a 10 anos já possui acesso à internet. Os números mostram um crescimento substancial na utilização da rede, principalmente entre os mais velhos, com mais de 60 anos, e as classes mais pobres. Ainda assim, porém, os dados mostram que quase metade da população ainda está desatendida e se encaixa no que o Ministério das Comunicações chama de “analfabetismo digital”.

Grande parte desse aumento é atribuída ao Programa Nacional da Banda Larga (PNBL), que quer fazer com que todas as cidades do Brasil tenham acesso à internet, com velocidade de 1 Mbps, por R$ 35 ao mês. Desde o início da empreitada, em 2011, mais de três mil cidades já estão conectadas, um total que já ultrapassa a metade da meta inicial de 5.564 municípios.

Porém, um dos grandes problemas é a resistência de parte da população em aderir ao mundo online. Uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo traçou um panorama sobre os motivos que levam alguns dos brasileiros a preferirem se manter longe dos computadores e smartphones.

A principal razão apontada foi a falta de segurança, seja em relação a movimentações financeiras – uma entrevista cita o medo de “perder dinheiro” como motivo – ou à falta de privacidade e sigilo. Fatores religiosos também foram citados, bem como a resistência dos pais, mais velhos, em adquirir um computador para que os jovens possam acessar à internet de casa. Para muitos, a escola ou lan houses acabam sendo as únicas opções.

Buracos no sistema

Além de fatores pessoais, as falhas na infraestrutura também são obstáculos para o crescimento do uso da internet. A fala de um dos entrevistados pelo jornal – que diz não ter acesso na região onde mora – é corroborada pela da secretária de inclusão digital do Ministério das Comunicações, Lygia Pupatto. Segundo ela, muitas localidades não são interessantes para as operadoras de telecomunicação e cabe a elas a escolha de onde se instalar.

Além disso, ela cita a falta de esforços em criar uma intimidade dos usuários com as ferramentas online. Para Pupatto, é preciso fazer com que as pessoas se apropriem da internet, criando assim oportunidades não apenas do uso da tecnologia, mas também de acesso à educação e cultura por meio de projetos online.

É aqui, porém, que se encontra mais um gargalo. Por mais que o acesso esteja sendo fomentado pelo PNBL, a velocidade ofertada ainda seria muito baixa para o uso em iniciativas desse tipo. O gerente de banda larga do Ministério das Comunicações, Pedro Lucas da Cruz Araújo, afirma que o órgão está ciente dessa deficiência, mas a reportagem não fala em iniciativas para mudar esse quadro.