Pesquisa revela que acesso barato à internet deve ser um direito humano

Por Redação | 25 de Novembro de 2014 às 11h53

Para 83% dos usuários de internet em todo o mundo, o acesso barato à rede deveria ser tratado como um direito humano. Foi essa a conclusão de uma pesquisa global realizada pelo Centro de Inovação e Governança Internacional (CIGI), que contou com a participação de 23,3 mil internautas de 24 países.

O estudo, conduzido por meio de questionários online, mostrou aquilo que muitos já sabem: a internet é parte importante da vida de muita gente. 81% dos entrevistados disseram que a web já é integrante em seu cotidiano, de forma a ser fundamental para seu estilo de vida e futuro econômico. Quem publicou sobre o assunto foi o site CIO.

Mas o grande dado do relatório veio da concepção de que a internet deve ser um aspecto tão importante na vida das pessoas quanto a liberdade de ir e vir, o direito à democracia e alimentação. Para os entrevistados, a rede se torna cada vez mais uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e, acima de tudo, liberdade de expressão. Sendo assim, todos os seres humanos deveriam ter acesso a baixos preços para poder acessá-la.

É uma concepção que contrasta com as informações reais de que dois terços da população mundial não estão conectados. Seja por viverem em zonas de conflito ou regiões miseráveis, essa maioria offline acaba contribuindo também para a desigualdade social e desinformação, realidades contra as quais todos deveriam lutar. Para o diretor da CIGI, Fen Hampson, trata-se de um direito fundamental que muitas vezes é deixado em segundo plano.

São aspectos que se misturam com outros pontos abordados na pesquisa. Ainda no sentido da liberdade de expressão, 64% dos respondentes afirmaram terem conhecimento de que seus governos censuram a internet, retirando do ar textos que são desfavoráveis ou moldando seu conteúdo. As respostas apresentaram pluralidade em diversos países do mundo, mostrando que essa é uma concepção global e não restrita a territórios de tensão política ou social.

Privacidade e espionagem

A pesquisa da CIGI também falou sobre os recentes escândalos de vigilância ostensiva, não apenas governamental, mas também praticados de forma legítima pelas companhias. Também,foi evidenciado o papel das administrações federais, com 48% dos entrevistados afirmando acreditarem que órgãos oficiais fizeram um bom trabalho para garantir que a internet se tornasse um local seguro.

Por outro lado, 74% dos participantes se mostraram preocupados quanto ao fato de empresas privadas estarem monitorando suas atividades online para fins de publicidade. A venda de tais dados parece ser o que mais chama a atenção, já que muitas vezes os usuários não sabem exatamente como agir para impedir isso nem conhecem quais são as informações próprias que estão sendo catalogadas.

A preocupação em relação às companhias privadas é quase tão grande quanto aquela registrada quanto a governos. Aqui, foram 62% dos entrevistados alegando temor de que agencias internacionais estejam de olho em suas atividades, enquanto 61% desconfiam que os próprios órgãos federais estejam fazendo o mesmo.

Por outro lado, essa informação bate de frente com o total de 47% dos entrevistados acreditando que seus governos também são importantes na mediação da internet. Por outro lado, 57% dos participantes acreditam que a governança online ideal seria constituída de um grupo de especialistas, ONGs e empresas de tecnologia, além da própria administração federal, claro, de forma a representar tanto os direitos civis quanto aqueles das organizações.

Existe também o temor com relação a grupos terroristas digitais e hackers, com 78% dos entrevistados tomando as medidas necessárias para evitar uma brecha em suas redes sociais ou sistemas bancários. Na mesma medida, outros 72% se mostraram com medo de que um ataque digital à infraestrutura de seus países possam resultar no vazamento de dados, interrupções em serviços ou outras situações bastante complicadas.

Para o CIGI, o balanço final é que, na mesma medida em que existe grande empolgação, dependência e, acima de tudo, histórias de sucesso no uso da internet, também cresce o temor com relação à espionagem e segurança. O resultado parece ser mais positivo do que negativo, mas cada vez mais o quadro geral se mostra complexo e bastante pluralizado, com diversos interesses globais envolvidos.

Para Hampson, um dos melhores caminhos a seguir é o de uma governança aberta e transparente, que ouça a sociedade civil e também às empresas antes de tomar qualquer decisão. O especialista acredita que apenas o restabelecimento dessa confiança será capaz de trazer o desenvolvimento social citado logo no início de estudo, já que de nada vale o acesso igualitário à web caso a rede se torne menos segura nesse processo.

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