Pesquisa: jovens acham que sabem mais sobre internet do que os pais

Por Redação | 28.11.2013 às 18:23
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Uma pesquisa coordenada pela London School of Economics and Political Science (LSE) mostra alguns hábitos das crianças e adolescentes usuários de internet no Brasil e na Europa. De acordo com o estudo, dois em cada três jovens internautas brasileiros entre os 9 e 16 anos acreditam que sabem mais sobre a web do que seus pais ou responsáveis, sendo que 53% vivem em famílias em que os adultos não acessam a rede. No continente europeu, apenas 28% a 46% afirmam que sabem mais do que seus pais sobre a internet.

O relatório faz parte do EU Kids Online, um projeto de pesquisa que utiliza dados da TIC Kids Online Brasil 2012, uma outra pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil (CETIC.br), e da pesquisa da rede europeia EU Kids Online, de 2010. O objetivo foi comparar experiências online de crianças e adolescentes europeus e brasileiros.

Os pesquisadores constataram que as redes sociais são o segundo serviço mais utilizado pelas crianças brasileiras na internet, enquanto que na Europa os jogos são a segunda atividade preferida pelo público infanto-juvenil. A casa e a escola são colocados como os principais locais de acesso à web em ambos os locais: no Brasil, 60% acessam de casa e 42% da escola. Na Europa, 87% acessam de casa e 63% da escola.

A análise também afirma que as crianças brasileiras preferem usar a internet a partir de locais públicos, como cybercafés e lan houses (35% no Brasil, contra 12% na Europa). Por outro lado, o acesso a partir de bibliotecas públicas é muito mais popular na Europa do que no Brasil (12% de lá contra apenas 4% daqui).

No entanto, o relatório destaca dados preocupantes no uso de internet feito tanto pelas crianças europeias quanto brasileiras. Nos dois grupos, uma em cada cinco crianças disseram ter visto ou entrado em algum site com conteúdo agressivo ou pornográfico. Cerca de 10% dos jovens brasileiros afirmam ter acessado tais páginas por causa do comportamento com os colegas, enquanto 8% dos europeus dizem que têm o costume de visitar links com algum tipo de "conteúdo assustador".

"O acesso à Internet está se espalhando rapidamente no Brasil, e muitas crianças usam a rede em locais públicos", explica a professora Sonia Livingstone, diretora do EU Kids Online. "Mais da metade das atividades online ocorrem sem supervisão. Por isso, a Europa tem liderado muitas iniciativas de segurança nos últimos anos, e esperamos que algumas delas possam ser de valor também no Brasil”.

Alexandre Barbosa, coautor do relatório e gerente do CETIC.br, acredita que é crucial promover iniciativas de aumento da conscientização sobre o uso seguro da internet. "A Pesquisa TIC Kids Online Brasil é uma importante fonte de dados para a elaboração de políticas públicas e certamente vai contribuir para promover o debate sobre as questões dos direitos digitais, liberdade de expressão e privacidade", disse.

A pesquisa TIC Kids Online Brasil foi inicialmente composta por até 2.500 crianças e adolescentes e seus respectivos pais ou responsáveis legais. O estudo está disponível para consulta neste link (em inglês).