Organizações iniciam campanha pelo fim do uso do CAPTCHA em sites

Por Redação | 05.08.2013 às 14:15

Organizações em defesa dos direitos e da acessibilidade da Austrália afirmam que o uso do sistema CAPTCHA tem afetado as pessoas com algum tipo de deficiência. O CAPTCHA é um mecanismo popular empregado em sites para evitar que spammers enviem mensagens não solicitadas, e ele exige que as pessoas interpretem sequências que misturam letras e números para provar que são pessoas de verdade e não máquinas.

No entanto, o CAPTCHA impossibilita que pessoas com deficiência visual consigam utilizar determinados sites e serviços na web, já que muitos dos sistemas de acessibilidade e leitores de tela costumam falhar ao tentar decifrar a imagem distorcida e ilegível do CAPTCHA. Agora, segundo o ITNews, grupos como Blind Citizens Australia, Able Australia, Media Access Australia e o Conselho Australiano de Surdos-Cegos iniciaram uma campanha pelo fim do uso do sistema em páginas na internet.

Mesmo quando o CAPTCHA utiliza arquivos de áudio, junto com a mensagem, as pessoas com deficiência afirmam que é tão difícil de usar quanto apenas a versão escrita. "Minha experiência com o CAPTCHA de áudio tem sido tão difícil quanto o CAPTCHA visual. Eu ouvi mais de 20 vezes o áudio do CAPTCHA no Skype antes de desistir e pedir para meu amigo que enxerga configurar minha conta", relatou Wayne Hawkins, assessor de políticas para deficientes da ACCAN, que é deficiente visual.

As organizações que buscam o fim do sistema afirmam que pessoas com dislexia, daltônicos e idosos também encontram dificuldades na hora de utilizar sites com o CAPTCHA.

"Tome como exemplo a compra de ingressos online: recusando as cores e utilizando um leitor de tela, eu consigo acessar todo o site de venda de ingressos até o momento crucial do pagamento quando o CAPTCHA aparece e eu tenho que chamar alguém para me ajudar", afirmou Dr. Scott Hollier da Media Access Australia, que também é cego. Hollier defende que uma forma melhor de autenticação e verificação do usuário seria o envio de e-mails, ao invés do CAPTCHA.

A organização W3C sobre padrões na web afirma que o CAPTCHA já não é mais tão eficiente no combate de spams como foi há alguns anos. Os spammers têm utilizado o próprio CAPTCHA em páginas, onde os usuários decifram o código achando que é um processo legítimo e acabam dando acesso aos spammers. A organização sugeriu outras técnicas em substituição para o sistema como quebra-cabeças lógicos, contas com tempo de uso limitado e cheques não interativos, para impedir a criação de contas fraudulentas e spam.