O futuro dos jornais

Por Colaborador externo | 15 de Outubro de 2013 às 10h20

Por Murilo Gun*

Todo mundo sabe que os jornais (e veículos impressos em geral) estão passando por um momento difícil em função principalmente da internet. Eu sou usuário de Internet desde os primórdios da rede no Brasil em 1995, mas sou assinante de jornal até hoje.

E muita gente acha isso estranho porque o jornal tem uma imagem de algo muito ultrapassado, mas eu vou explicar por que eu gosto e por que eu acho que, mesmo o crescimento da internet, os jornais não vão acabar.

Para quem não sabe, os portais de internet vivem de cliques. Eles vivem numa busca incessante para que os usuários cliquem o máximo de vezes possível em notícias porque cada clique gera 1 view (visualização) e a soma dos views é a audiência do portal. É como se os views fossem os "pontos do Ibope da televisão".

Se o objetivo é ter muitos views, então o portal tem que privilegiar as notícias mais atrativas. Por isso que a gente sempre vê em destaque nos portais muitas notícias de esportes, fofocas, novelas, polêmicas, catástrofes, curiosidades, bizarrices, etc. Por que isso tudo gera cliques.

O problema é que tem muitas notícias que não geram cliques, mas que são relevantes para a cidadão, só que essas notícias ficam "escondidas" nas seções e subseções dos portais.

A capa do jornal impresso também tem como objetivo ser atrativa para vender na banca de revista. A capa do jornal também busca o "clique", mas, uma vez que você compra o jornal por causa da capa, você "ganha" um monte de outras notícias que você acaba lendo por tabela, nem que seja apenas o título delas.

E isso não acontece na internet. Ninguém tem o hábito de sair clicando em todas as editorias e subeditorias de um portal. Na internet, a gente normalmente procura apenas o que nos interessa, enquanto que no jornal a gente é meio que forçado a ler sobre mais assuntos.

As notícias na internet também tendem a ser mais curtas, porque o objetivo é que o usuário clique logo em outro link para gerar mais views. A campanha do Estadão inclusive diz que tem como objetivo de "atacar o principal ponto negativo do mundo das notícias em excesso: a superficialidade." Eles não quiseram falar explicitamente INTERNET, mas todo mundo sabe que é dela que eles se referem.

Eu gosto de imaginar que a equipe de um jornal são meus funcionários. E, dentre esse universo infinito de notícias, eles filtram aquelas mais relevantes, imprimem e enviam todo dia para a minha casa. Tudo isso a um custo de apenas 2, 3 reais por dia.

É claro que as notícias são selecionadas de acordo com a opinião da equipe do jornal, mas esse problema vai ocorrer em qualquer veículo impresso ou digital. É difícil haver uma imparcialidade plena em qualquer plataforma de conteúdo.

E por que eu não leio a versão impressa do jornal no tablet?

Bem... Aí é uma coisa muito pessoal minha. Eu prefiro o jornal impresso porque todo dia que ele chega na minha casa eu me sinto na obrigação de consumir aquele conteúdo. Eu não tenho coragem de pegar um jornal novinho e jogar no lixo. Mesmo que eu não consiga ler naquele dia, eu guardo e leio no dia seguinte. Se eu lesse no tablet, isso não ocorreria. Eu deixaria tranquilamente de ler uns dias sem nenhuma culpa.

Além disso tudo, o jornais tem suas utilidades "periféricas": forrar o chão para pintar a casa ou para o cachorro fazer xixi, recortar letrinhas e fazer uma carta de ameaça com colagens... No dia que eu ver um cara no mercado embrulhando peixe com tablet, aí sim será o fim dos jornais.

*Depois de uma carreira como empreendedor, Murilo Gun tornou-se humorista e palestrante sobre o tema. É pioneiro do stand-up comedy no Nordeste.

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