Netflix processa ex-vice-presidente por corrupção e favorecimento

Por Redação | 26.11.2014 às 10:09

O mundo do entretenimento, assim como o da política, é cheio de lobbies, interesse e contratos que beneficiam não necessariamente o espectador, mas sim os produtores de conteúdo. Para confirmar isso, a Netflix abriu nesta quarta-feira (26) um processo contra seu ex-vice-presidente de Operações de TI, Mike Kail, por corrupção e favorecimento. Quem noticiou o fato foi o Re/Code.

De acordo com os documentos registrados na Justiça do estado americano da Califórnia, o executivo é acusado de receber “comissões” de 12% a 15% sobre o valor de contratos assinados com duas empresas de telefonia, de forma a favorecê-las em negociações com a Netflix. Além disso, ele também teria recebido cartões-presente e outras regalias de companhias não reveladas para dar preferência a elas em novos projetos ou programas de licenciamento do serviço.

O esquema teria existido durante alguns anos. Kail ocupou a posição de gerência de 2011 até agosto deste ano, quando deixou a Netflix para trabalhar no Yahoo!, e, nesse meio tempo, não se sabe ao certo quanto dinheiro ele teria recebido “por fora”. As empresas Vistara IT e Netenrich, que pagavam o dinheiro ao VP por meio de sua empresa de consultoria, a Unix Mercenary, também estão envolvidas no escândalo.

O que muita gente chamaria de propina era identificado pelo diretor como “taxas de redirecionamento”. O valor de 15%, em muitos casos, era visto por ele como uma mera “comissão”, com valores que, segundo recibos anexados ao processo, chegaram a US$ 11,8 mil em alguns meses. A plataforma de streaming de vídeos afirma não ter notado o esquema devido ao fato de Kail um “funcionário confiável”, cujas atribuições incluíam a aprovação de notas desse tipo.

A empresa de streaming lembra que a situação de desvio de dinheiro poderia ser ainda pior, pois, em determinado momento de sua gestão, Kail solicitou a transferência de algumas contas bancárias da Netflix para seu nome. Isso não aconteceu e não se sabe ao certo o que ele pretendia com esse movimento.

Agora, a ex-contratante do executivo o acusa de fraude e quebra de deveres fiduciários e quer receber compensações pelos danos causados. Além disso, ela exige a devolução dos valores recebidos nas “comissões”. A Netflix pode, também, entrar com um processo criminal contra Kail, mas ainda não se sabe ao certo se a ação seguirá por tal caminho, uma vez que a companhia preferiu não falar mais sobre o assunto. O ex-vice-presidente também manteve o silêncio.